quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Quantidade de vinho por garrafa



A história da garrafa de vinho começa em 6.000 a C com Kvevri, vasos de barro revestidos com cera de abelha, usados para armazenar o vinho georgiano antigo.
Depois veio a ânfora, recipiente de cerâmica com duas alças para facilitar o trasporte e um pescoço longo e fino para reduzir a quantidade de vinho exposta ao oxigênio, que foi  inventada pelos egípcios e usada amplamente durante o tempo dos impérios romano e grego. 
Em 1600 a invenção do forno de carvão permitiu o vidro mais grosso, mais resistente, inaugurando a era das garrafas de vidro capazes de trasportar vinhos com segurança.
Ao longo dos séculos a dificuldade de vender vinho em quantidades altamente variáveis e as crescentes pressões comerciais internacionais levaram os Estados Unidos e a União Européia em 1979, estabelecerem a garrafa de 750 ml como padrão.
Hoje podemos encontrar os seguintes tamanhos de garrafas de vinho:
Um quarto: 187 ml
Meia garrafa: 375 ml
Sobremesa: 500 ml
Garrafa Padrão: 750 ml
Magnum: 1,5 ml
Jeroboam: Existem dois tamanhos de Jeroboam: o vinho espumante Jeroboam contém 3 litros: e o vinho tranquilo Jeroboan, que contém 4,5 litros.
Roboão: para Champagne apenas contém 4,5 litros
Imperial: 6 litros
Matusalém: com a mesma capacidade da garrafa Imperial (6 litros) - geralmente usada para Champagne / vinhos espumantes.
Salmanazar: 9 litros
Balthazar: 12 litros
Nabucodonosor: 15 litros  
Melchior: 18 litros
Salomão: 20 litros
Melquisedeque: 30 litros (Drappier faz um Champagne desse tamanho)


quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Queijos - Queijos e vinhos pelo mundo - Petit Berrichon



Petit Berrichon
Queijo francês da região de Berry, elaborado a partir de leite de cabra pasteurizado "primo" do Crottin de Chavignol.
Queijo cremoso, massa macia,  levemente salgado, equilibra a doçura da massa com o sabor distinto do leite de cabra.
Quando o assunto é vinho, opte por um Sancerre Blanc uma belíssima harmonização regional, ou outro vinho da casta Sauvignon Blanc.

Você sabia;;;
AOC Sancerre
A partir de suas nascentes no centro da França, o rio Loire, flui para o norte, banha o distrito de Berry, desviando-se para oeste, até desembocar no Atlãntico.
Em Berry, no cimo de uma colina na margem esquerda do rio, ergue-se a cidade de Sancerre, que dá nome a denominação de origem
São 2.800 hectares de vinhas da variedade Sauvignon Blanc, para vinhos brancos, e Pinot Noir para vinhos rosés e tintos., em uma área composta por 14 municípios.
Com clima continental, seus solos a oeste, "terres blanches" de composição argila-calcária, os "caillottes" - pedregosos e calcários - e os "argilosos - siliciosos" chailloux ou silex a leste.
Quem acompanha o BCA sabe que as composições dos solos, a orientação e a oscilação de altitude, constituem diversos microclimas que definem as características organolépticas dos vinhos de Sancerre.
Assim, os vinhos brancos de "terres blanches" são robustos e precisam de tempo na garrafa para se expressar melhor. Os de "caillottes" saõ finos, leves e frutados e os de "chailloux ou silex" são nervosos com aromas de pedra de esqueiro característicos do silex.
A principal diferença entre os produtores reside no grau de maturidade com que as uvas foram colhidas para delinear o estilo de vinho seguido.
Aromas de lima, grapefruit e melão, com um fundo de mel e certa nuance mineral são comuns a todos os Sancerres brancos.

Leia também: Queijos - Queijos e vinhos pelo mundo - Ossau - Iraty

sábado, 23 de novembro de 2019

Harmonização- Salmão e Beurre Blanc




Beber, Comer e Amar...
Má na cozinha preparando Salmão e Beurre Blanc.
"No Vale do Loire na França, o respeito pelo vinho local é determinante para a culinária, comida e vinho são criados um para o outro.
O rio Loire é extenso, estende-se desde a nascente nos Ródano-Alpes e percorre a Borgonha antes de fazer um desvio à esquerda, em direção ao oceano Atlântico.
Já vimos aqui no BCA que a região do Vale do Loire é cercada por solos variados ricos em minerais e também por microclimas. Assim, tanto a comida quanto o vinho assumem um caráter local bem peculiar. Cada cidade tem sua especialidade culinária e as qualidades de um vinho variam drasticamente de um lugar para o outro.
O rio Loire é repleto de peixes, como lúcio, truta, enguia e salmão que são servidos simplesmente com um Beurre Blanc.
O prato de hoje é uma viagem ao Vale do Loire, o Salmão e Beurre Blanc.
Simples e delicioso o Beurre Blanc é um molho clássico, ferramenta principal do repertório de muitos chefes, não se pode conhecer a alta gastronomia sem o Beurre Blanc, ele é obtido por redução de manteiga com chalotas, vinagre e Muscadet (um vinho branco seco originário dos arredores de Nantes, elaborado com a variedade Melon de Borgogne).
Para as pessoas da região de Nantes o Beurre Blanc foi criado devido ao erro da cozinheira do Marquês de Goulaine, Clemence, que teria esquecido de colocar ovos enquanto fazia um Bearnaise.
A outra versão diz que, Curnonsky argumentaria que o Beurre Blanc vem de uma receita tradicional "o beurre blanc de la Possonnire", charmosa e pequena vila de Argers.
Quem acompanha o BCA sabe que o molho do prato que vai definir a harmonização, o molho Beurre Blanc exige um vinho de alta acidez, pureza e mineralidade.
Aproveitei que o Marcelo usou o Muscadet para o preparo do prato e fui no óbvio, usando o mesmo vinho para harmonizar.


Vinho Domaine Haute Fèvrie - Sebastien Branger - Vale do Loire - AOC Muscadet - Sèvre-et-Meine
Variedade: Melon de Borgogne, é envelhecido por 7 meses em suas borras.
No nariz notas cítricas altas, abacaxi e limão. em boca acidez brilhante, notas cítricas confirmam o nariz, sobre fundo salino e mineral.
Que tal preparar esta  maravilha para seu final de semana?
Eu como sempre, contribuo com a receita:

Salmão e Beurre Blanc
Ingredientes para o salmão
2 chalotas picadas
15 g de salsinha picada
4 postas  de salmão (150g cada)
suco de meio limão siciliano
sal marinho e pimenta-do-reino moída na hora
Ingredientes para o molho Beurre Blanc
1 chalota picada
125ml de vinho branco de preferência do vale do Loire como o Muscadet
1/2 colher (sopa) de vinagre de vinho branco
5g de salsinha picada
110g de manteiga sem sal em cubos
sal marinho e pimenta-do-reino moída na hora
Preparo
1. Preaqueça o forno a 200 graus
2. Forre uma forma funda com papel alumínio distribua as chalotas e a salsinha, formando uma base, e coloque as postas de salmão por cima. Tempere o peixe com sal e pimenta-do-reino, regue com suco de limão e cubra com papel alumínio, lacrando bem.
3. Asse o peixe por 20-25 minutos
4. Enquanto isso, prepare o beurre blanc. Leve ao fogo uma panela com a chalota, o vinho branco, o vinagre e a salsinha. Quando abrir fervura reduza para fogo médio. Deixe ferver até o molho reduzir bem o volume (e engrossar), até restar duas colheres (sopa) do liquido. baixe ainda mais o fogo e incorpore a manteiga aos poucos (com um foue). tempere com sal e pimenta.
5. Coe o molho em uma peneira fina em uma tijela. Descarte a parte sólida. Então coloque a tijela em banho-maria para manter o molho aquecido até a hora de servir. 6. Arrume o salmão as chalotas e a salsinha no prato e regue com o beurre blanc.
Se quiser sirva acompanhado por batatinhas.

Fonte: O Atlas Gastronômico - Mina Holland


Você sabia...
Muscadet Sèvre-Et- Meine
Das três denominações sub-regionais da vinha Muscadet a AOC Muscadet-Sèvre-et-Maine é uma das mais antigas e mais importantes em termos de área de superfície e volume de produção. Delimitada principalmente no departamento do Loire-Atlantique, a AOC se estende por mais de 23 comunas, distribuídas nas encostas dos vales de Sèvre Nantes e do Maine, os dois últimos afluentes do Loire antes de sua foz.
Instalada em solos muito variados, a vinha fornece vinhos bastante robustos, de guarda nas grandes safras, frequentemente deixados em borras no minimo 6 meses.
Dentro da área de denominação existe três denominações geográficas: Clisson, Gorges e Le Pallet.
Clisson é caracterizada por areia de origem granítica.
Gorges por argila formada por alteração dos gabros.
Lepallet por solos pedregosos.
As videiras se beneficiam de um clima temperado oceânico, o verão é ameno, seco e com muito sol. Às vezes as temperaturas no inverno saõ muito baixas.
A Muscadet (Melon de Borgogne) é a única variedade de uva permitida.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Cristais nas rolhas - Diamantes do vinho



Os Diamantes do Vinho encontrados na rolha de cortiça ou flutuando no vinho, são cristais de bitartarato de potássio que se formam quando o vinho não é estabilizado a frio.
Como o ácido tartárico e o potássio são componentes naturais das uvas, eles não podem ser removidos após a formação dentro da garrafa,  para garantir que os cristais não se formem durante o armazenamento na casa do consumidor, o produtor pode forçar a formação dos cristais na vinícola através de um processo chamado estabilização a frio, que traz a tona esses cristais permitindo que eles sejam facilmente filtrados, mas muitos produtores não estabilizam o vinho a frio, pois preferem manter a pureza dos aromas naturais do vinho.
Os diamantes do vinho são portanto um bom sinal em um vinho.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Vinhos com nomes diferentes - Vinho Amarelo


Vinho Amarelo - tradução ao pé da letra de Vin Jaune.
O Vin Jaune é uma das AOc do Jura.
Muito controlada, a produção é feita apenas com a casta Savagnin, o Chateau - Chalon é seu vinhedo nativo, mas também é produzido nas denominações de Arbois. L'Étoile e Côtes-du-Jura.
O Vin Jaune é basicamente um vinho branco seco que se torna amarelo porque é colocado em um barril de 228 litros, por seis anos e três meses. Durante esse período de tempo, um fino véu de levedura é depositado no líquido, impedindo que o vinho se oxide em contato com ar. Este longo envelhecimento explica a cor amarela dourada do vinho, quanto mais o vinho envelhece no barril, maior a intensidade de sua tonalidade.
No final do envelhecimento em barris, o Vin Jaune é engarrafado em uma garrafa original de 620 ml chamada "clevelin", na qual é preservado por 50 ou 100 anos ou por vários séculos nas grandes safras, mantendo e aumentando todas as suas qualidades.
Uma garrafa aberta também pode ser preservada sem alteração por vários meses ou anos.
Sua cor amarela intensa e brilhante chama atenção. O buquê de um Vinho Amarelo geralmente desenvolve notas persistentes de nozes, vegetação rasteira, curry, especiarias, floresta e flores. na boca é seco, mantém uma frescura brilhante e permanece por muito tempo no paladar.

Leia também: Vinhos com nomes diferentes - Eiswein - Vinho do gelo

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Vinhos com nomes diferentes - Eiswein - Vinho do gelo



O Eiswein, ou Icewine ou Vinho do gelo é um vinho doce feito com uvas congeladas.
Originou-se na Alemanha, uns dizem que foi no final dos anos 1700, outros afirmam que o primeiro Eiswein foi feito em 1829.
O segredo dos Eisweins é a concentração de açúcar das uvas e uma acidez relativamente alta.
Um fenômeno que acontece quando as uvas congelam enquanto ainda estão nas videiras. São necessárias temperaturas de pelo menos -7°C  para que as uvas sejam colhidas; temperaturas de -10°C e -12°C graus são ideais. Ao amanhecer, as uvas naturalmente congeladas são colhidas e prensadas imediatamente, enquanto ainda estão congeladas. O teor de água das uvas permanece como um bloco de gelo na prensa e apenas o suco mais doce das uvas, cujo o ponto de congelamento é menor que o da água, é extraído como mosto altamente concentrado.
Mas os vinho do gelo não acontecem por acaso, requer preparação e comprometimento da parte do viticultor, uma gestão rigorosa e de qualidade da vinha e ações especiais de cultivo durante toda a estação.
Os principais países produtores são Alemanha, Áustria e Canadá.
O Canadá domina a produção global pois é o único país que é frio o suficiente para garantir safras anuais.
Na Alemanha a Riesling é a principal variedade de uva para Eiswein, mas a produção é complicada, pois o caule do cacho pode se degradar e os cachos podem cair da videira. É menos provável que esses cachos se percam nas vinhas de hoje, pois são coletados pela rede de pássaros, mas a colheita manual se torna um requisito mais provável, aumentando o custo. Em comparação, o caule do cacho de uma variedade como a Sylvaner é mais resistente e a colheita mecanizada é mais fácil.
No Canadá, a variedade de uva híbrida Vidal (Ugni Blanc x Seibel ) é a base dos Icewines , ela tem uma pele espessa, oferecendo boa proteção para a colheita tardia e acidez para equilibrar os exuberantes aromas tropicais.
A Cabernet Franc também é popular por lá, o vinho final tende a ter uma cor vermelha pálida a rosada. Ocasionalmente voce pode encontrar Icewines feitos com Chardonnay, Gewurztraminer e até com Cabernet Sauvignon.
Por falar em Cabernet Sauvignon, você sabia que temos um Icewine brasileiro?
Ele é da vinícola Pericó e foi produzido pela primeira vez em 2010, com a Cabernet Sauvignon, leia mais a respeito em: Você sabia que temos um Icewine brasileiro?

Leia também: Vinhos com nomes diferentes - Vin de Soleil

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Vinhos com nomes diferentes - Vins de Soleil



Vins de Soleil é o apelido dado aos vinhos da denominação Saint-Joseph (Vale do Ródano) devido a magnífica exposição solar de suas encostas.
A denominação de Saint-Joseph está localizada na margem direita do Ródano e suas videiras (90% Syrah, restante Marsanne e Roussanne) são plantadas nas encostas íngremes que revestem o rio. Dizem na região que, para que o vinho seja bom, é necessário que a vinha veja o mar.
Administrativamente, o Saint-Joseph pode ser produzido nos departamentos de Ardeche e Loire.
O vinhedo goza de um clima aberto ao sul e protegido dos ventos predominantes. As encostas íngremes permitem boa drenagem e a ótima exposição ao sol.
Os solos são de argila arenosa, calcário, granito e óxido de ferro.
O vinho tinto Saint-Joseph só pode ser produzido com uma variedade de uva principal Syrah (90%) a única variedade tinta da denominação. No entanto, podem ser utilizados 10% de Marsanne ou Roussanne.
São vinhos poderoso, de uma bela cor púrpura, levemente picantes, alguns com aromas de alcaçuz, apresentam taninos bastante presentes quando jovens, mas temperados por uma bela presença de frutas (groselha, amora, framboesa), completadas por uma pitada de violeta. Na maturidade (5 anos), esses Syrah desenvolvem uma redondeza que favorece a harmonização com uma grande variedade de pratos.
O vinho branco Saint-Joseph é fresco e elegante, marcado por notas de mel e acácia, onde as variedades Marsanne e Roussanne se encontram. Um vinho distinto e delicado tem uma bela cor amarela com reflexos verdes, um belo floral traz requinte e comprimento na boca.

Leia também: Vinhos com nomes diferentes - Vins de Paille