sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Vinhos de sobremesa



Quando li pela primeira vez a menção "vinhos de sobremesa" não dei muita importância , mas quando provei um Tokay pela primeira vez no dia seguinte fui procurar entender esse mundo fascinante dos vinhos doces.
Infelizmente muita gente generaliza e acaba colocando todos os vinhos doces em um mesmo patamar.
Eu, até por uma questão de entendimento prefiro dividi-los em vinhos doces e vinhos fortificados.
Os vinhos doces são os vinhos elaborados com uvas com grande concentração de açúcar, que podem ser obtidos das seguintes maneiras:
Colheita Tardia ou Late Harvest - as uvas são apanhadas semanas depois da maturação ideal, quando o conteúdo de açúcar é muito mais elevado.
Botrytis Cinerea ou Podridão Nobre - as uvas são atacadas pelo fungo Botrytis Cinerea, que consome parte da água das uvas, concentrando o açúcar (exemplo: Sauternes, Tokay).
Passificação: - as uvas são apanhadas e depositadas sobre esteiras e deixadas para secar, portanto concentrando o açúcar (exemplo Vin Santo).
Congelamento - as uvas são deixadas congelando na parreira para que a água seja separada do suco açucarado, originando os Ice Wines ou Eiswein.
Já os vinhos fortificados são aqueles que recebem aguardente vínica durante sua produção, matando as leveduras e interrompendo a fermentação, assim parte do açúcar que seria transformado em álcool continua na bebida, são eles:
Porto, Madeira e Moscatel de Setúbal (Portugal), Málaga (Espanha), Marsala (Itália).
Essa mesma técnica de "fortificação" é usada para elaborar os VDN (Vin Doux Naturel) vinhos doces naturais da França, que apesar do nome, levam aguardente vínica na sua elaboração (exemplos: Muscat de Beaumes de Venise, Muscat de Riversaltes, Maury e Banyls).
No Jerez (Espanha) a fortificação se dá após a fermentação,sendo fortificado pela adição de um concentrado de xarope de uva.
Bem, afinal o nome do blog é Beber, Comer e Amar... então sem mais delongas, vamos á harmonização. Seria chover no molhado dizer que os vinhos de sobremesa harmonizam perfeitamente com uma, mas no dia que comprei meu primeiro Tokay, quis testar mais uma harmonização para contrapor a doçura do vinho com o sal da carne seca, então harmonizamos com um belo e gostoso Risoto de abóbora com carne seca preparado pelo Marcelo.
Seguindo esse raciocínio você também pode degustar um vinho doce com um queijo gorgonzola, fica perfeito.
Outra hora conto como ficou a harmonização do Tokay com o risoto do Marcelo.
Antes que eu esqueça, para a brincadeira ficar melhor ainda, tanto os vinhos doces como os fortificados devem ser servidos gelados, isso irá realçar a acidez do vinho que é o segredo do seu frescor, vai equilibrar os açúcares e evitar que fique enjoativo.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Atualmente você sabe qual é a melhor taça para o seu espumante?


Dependendo do estilo do espumante você tem várias opções de taças para melhor degustá-lo
Se você quer...
Sentir bem os aromas: use a taça de vinho branco, indicada para champagnes, champagnes de envelhecimento prolongado e de grande complexidade aromática.




Beber com muita elegância: use a coupe (diz a lenda que foi moldada em um seio feminino) indicada para champagnes e espumantes doces pois a borda mais aberta favorece a apreciação da acidez.


Admirar a perlage (bolhas): prefira a flûte indicada para espumantes elaborados pelo método charmat pois possuem aromas evidentes mas sem grande complexidade.


Privilegiar tanto a perlage (bolhas) quanto os aromas: prefira a tulipa, muito apreciada no mundo do vinho, indicada para champagnes e espumantes elaborados pelo método tradicional.
Evite as taças coloridas elas não deixam você apreciar a cor do vinho.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Você já degustou algum vinho do Leste Europeu?




Meus primos estão comemorando Bodas de prata em uma linda viagem ao Leste Europeu.
Estão maravilhados com os lugares paradisíacos mas também estão adorando os vinhos locais. Sabe por quê? Simples! Países como Croácia, Hungria, Eslovênia, Eslováquia e outros que por muito tempo estiveram fora do âmbito vitivinícola, possuem uma rica e longa tradição no que diz respeito a vinhos, mas que ficou inerte por muito tempo, por causa do regime comunista que durou até o final dos anos 80 e que desde então com investimentos e tecnologia vem se reerguendo.
Contemplando este belíssimo pôr do sol em Dubrovnik - Dalmácia - Croácia, eles degustaram o vinho rosé Stagnum e me recomendaram o artigo.
O vinho é feito a partir da variedade Plavac Mali uma casta autoctóne da parte costeira da Dalmácia que é o resultado do cruzamento de duas castas croatas a Crljenak (conhecida como Primitivo na Itália e Zinfandel nos Estados Unidos) e a Dobricic.
A Croácia tem muitas variedades de castas autóctones ( mais de 60 no total) que ainda não são muito conhecidas em nível internacional, em parte devido a seus nomes complicados.
A Plavac Mali é a tinta mais plantada na Croácia e dependendo da região que é cultivada produz vinhos de dois estilos muitos distintos.
Se cultivada em lugares superiores tais como Dingac e Postup produz tintos encorpados, ricos em sabor e personalidade que chega a lembrar alguns dos mais famosos vinhos internacionais.
Se cultivada em Peljesac e sul da Dalmácia produz tintos leves e frutados.



O vinho degustado em questão foi o Stagnum Rosé 2015
Denominação: Península Peljesac
Clima: Mediterrâneo
Solo: arenoso
Casta: Plavac 100%
Graduação alcoólica: 13,5%
Tipo: seco rosado
Fresco, frutado e segundo meus primos " desceu redondo, completando o jantar" pois foi harmonizado com camarões e lulas recheadas.
Em uma próxima oportunidade falarei de outros vinhos do Leste Europeu, inclusive do Tokay, o mais famoso vinho da Hungria.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Sauvignon Blanc



Esta cepa é uma das principais variedades de uva. É famosa tanto pelo distintivo gosto metálico e seco de seus monovarietais como por seu papel nos melhores vinhos de sobremesas.
Aromas principais: Aspargos, groselha, grama, frutas tropicais.
Caráter: Aromática, elevada acidez, frequentemente misturada com Sémillon para elaborar vinhos doces ou secos, não aceita bem o barril de carvalho nem admite o envelhecimento, exceto em corte.
Regiões chave: Vale do Loire (Pouilly-Fumé e Sancerre) e Bordeaux (Péssac-Leognan em corte), Espanha (Rueda), Nova Zelândia, Chile, Califórnia e Austrália.
Como são leves, secos e refrescantes, os Sauvignon Blanc são excelentes para aperitivos e para realçar a maioria dos pratos de peixe e de ave.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Carnes e Vinhos parte 2


Frango: Mais que qualquer outro alimento, o frango é o camaleão do vinho, já que se adapta  a um enorme leque de possibilidades.
Frango assado: Evite tintos com excessos de taninos e madeira. Entre os tintos um Pinot Noir, eu prefiro os brancos, um Chardonnay suave, um Xarello ou mesmo um Chenin Blanc.
Frango grelhado: Marinado em ervas - um Sauvignon Blanc, um Chardonnay leve ou um tinto suave como um Côtes-du-Rhône. Marinado com especiarias - opte por um vinho Verde branco, um Viognier ou um Beaujolais.
Coq Au Vin: Mesmo que você não use na preparação da receita um tinto da Borgonha, você deve acompanhar esse prato com um Borgonha. Um Pinot Noir da Califórnia, da Nova Zelândia ou da Austrália também seriam boas opções.
Frango Sauté: Escolha um branco redondo e frutado como o Sémillon ou um Verdejo.
Frango Defumado: A solução é um Chardonnay com um pouco de madeira ou um Sémillon de Hunter Valley que tem sabor de defumado sem necessidade de envelhecimento em barril (um dos tesouros vinícolas da Austrália).
Espeto de frango: Combina muito bem com qualquer Chardonnay fermentado em barril de madeira.
Frango cozido: vai depender dos ingredientes do preparo, se for cozido por exemplo com tomates e ervas opte por um Shiraz chileno.
Frango com macarrão chinês: Um espumante nacional faz maravilhas com este prato, um Riesling alemão também é adequado.
Frango ao curry: Vá de Sémillon australiano ou Pinot Blanc, um Sauvignon Blanc do Chile, da California ou da Nova Zelândia.
Peru, Pato e Ganso: Caso prepare uma refeição especial com alguma dessas aves, não caia na tentação de servi-la com seu melhor tinto de Boedeaux ou aquele Cabernet Sauvignon de qualidade. Esses tintos adstringentes farão que a carne fique extremamente seca.
Peru assado: As melhores opções são tintos robustos como Grenache ou Shiraz californiano ou australiano, caso prefira um branco esta pode ser a oportunidade para um Chablis, ou um bom Chardonnay.
Pato assado: O melhor Pinot Noir que se possa permitir (da Borgonha, Califórnia, Nova Zelândia ou Austrália). O Barolo ou um Barbera cumprem a mesma função.
Peito de Pato: Confit - opte por um bom tinto do Priorat, um Cabernet californiano ou um robusto Shiraz.
Pato Pequim: Esse aromático prato da cozinha chinesa pede um tinto suave e frutado como um Beaujolais ou um Pinot Noir que harmoniza bem com pratos da culinária chinesa.
Ganso: Cassoulet - Este prato francês que combina ganso ou pato ( e frequentemente também gordura de ganso, com vagens, porco e carneiro) necessita de um vinho com o mesmo brio, vinhos do sul da França ou Tempranillos de Rioja ou Ribeira del Duero.
Porco: Costuma ser servido com vinho tinto, porém frequentemente a carne de porco é preparada com alguma fruta, que fará combinações mais oportunas com vinhos brancos.
Porco assado: É delicioso com vinho tintos suculentos sejam eles frutados e com corpo médio como o Grenache ou um Beaujolais Cru, sejam com maior corpo como um Shiraz.
Para amantes do vinho branco, o porco assado com zimbro fica maravilhoso com um Pinot Gris.
Porco assado com maças: Um Viogner ou um Riesling seco.
Costeletas de porco: Na grelha - são excelentes com um Pinot Noir do Novo Mundo, um Tempranillo ou um Zinfandel californiano.
Costeletas de porco com mel ao forno: Harmonização difícil eu iria de Rosé.
Chucrute: Faça as honras do prato típico alsaciano com um Pinot Gris ou um Riesling da região. Ou experimente com um Gewvrstraminer.
Linguiças: Um Valpolicella Ripasso ou mesmo um Merlot nacional.
Linguiças picantes: Um tinto português do Douro ou Bairrada.
Pernil e Bacon: Aqui é preciso ir com prudência, o melhor é um tinto frutado com corpo médio.
Pernil assado: Os que preferem vinhos brancos devem provar um Chardonnay ou um Pinot Blanc levemente amadeirados. Os que preferem tintos podem optar por um Beaujolais-Villages ou um Merlot suave de Penedés.
Pernil Curado (serrano ou parma) Experimente um refrescante branco italiano como o Orvieto, um Chardonnay sem carvalho mas eu iria sem dúvida de Jerez fino.


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

As Bombas á Vácuo Funcionam?


O Vacu Vin é um aparelho que cria um vácuo dentro da garrafa (retira o ar) e que teoricamente  protege o vinho que já foi aberto da oxidação.
Você coloca a rolha de borracha que acompanha a bomba no gargalo da garrafa, posiciona a bomba em cima da rolha e bombeia o ar para fora.
Na teoria é perfeito, mas a oxidação do vinho já começa a ocorrer a partir do momento que a garrafa é aberta.
Se você pretende usar o Vacu Vin e guardar o vinho que não foi consumido, lembre-se que as bombas apenas conseguem retirar uma parte desse oxigênio de dentro da garrafa pois é um utensílio manual, isso ainda deixa bastante ar dentro dela, sem contar que ao retirar o ar da garrafa você retira também parte dos aromas do vinho.
Alguns vinhos envelhecidos, quando entram em contato com o oxigênio, devem ser consumidos no mesmo dia, pois a tendência é de perderem suas características rapidamente.
Se você optar por usar o Vacu Vin, aconselho que use-o em vinhos jovens, tendo apenas consciência de que, com o tempo o vinho decairá até oxidar por completo.
Para armazenamento de curto prazo, uns dois dias, não mais que isso.
Na minha opinião com o Vacu Vin não houve uma diferença tão significativa que justificasse a sua utilização.
Porém ha quem goste e o recomenda.
Mas é como sempre digo, você precisa testar e tirar suas próprias conclusões. Depois comente o que achou.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

House Of Mandela Thembu Collection Pinotage 2012 e Sauvignon Blanc 2013


Ontem aproveitei para me reciclar, assisti a uma palestra sobre vinhos da África do Sul, na degustação provei vários exemplares dos quais dois destaco aqui:
House Of Mandela Thembu Collection Pinotage 2012
House Of Mandela Thembu Collection Sauvignon Blanc 2013
Os vinhos desta coleção especial possuem este nome em homenagem a tribo Thembu de onde veio o grande Nelson Mandela. Tribo esta que se caracteriza por um povo democrático, hospitaleiro, a favor da paz e não  da guerra, cheio de compaixão ao próximo e abertos a novas culturas.
Apesar de existir a muitos anos, o projeto da vinícola surgiu em 2010 e pertence à família Mandela, que possuem duas grandes linhas de vinhos: a Reserva Real e a Coleção Thembu. Estes vinhos são resultado das duas melhores regiões produtoras do país: Stellenbosch e Paarl.
Produtor: House of Mandela
País: África do Sul
Tipo: Tinto
Região: Western Cape
Uvas: 100% Pinotage
Cor: Vermelho violeta
Aroma: Ameixas pretas e especiarias dominam o aroma.
Palato: Taninos macios e acidez equilibrada com bom corpo.
Harmonização: Acompanha desde pizzas e massas a pratos elaborados com carne vermelha
Teor alcoólico: 14.3%
Vinificação: As uvas foram manualmente colhidas e desengaçadas e fermentadas em tanques de aço inox. O vinho então foi maturado durante 6 meses em barricas de carvalho francês.
Produtor: House of Mandela
País: África do Sul
Tipo: Branco
Região: Western Cape
Uvas: 100% Sauvignon Blanc
Cor: Amarelo palha.
Aroma: Fresco e frutado com destaque para frutas tropicais e melão.
Palato: frutado, delicado com boa acidez .
Harmonização: Ótimo se combinado com pratos leves, frutos do mar e peixes.
Teor alcoólico: 12.8%
Vinificação: As uvas foram desengaçadas e fermentadas a frio em tanques de aço inox. Após quatro meses de fermentação foi engarrafado.
Fonte: Importadora Ravin