terça-feira, 23 de junho de 2026

Bolo de Ricota harmonizado com Cava Pata Negra

Este bolo de ricota surgiu de uma receita que o Má pegou na internet para aproveitar aquele pote de ricota que estava "aniversariando" na geladeira.
Acompanhado de um Cava demi-sec que ganhamos de um paciente, o momento virou um convite natural para prolongar o prazer da conversa após o jantar.
A magia desta receita está na forma como ingredientes simples combinam para criar um bolo com muito mais profundidade do que aparenta à primeira vista.
A ricota é responsável pela cremosidade e pela agradável sensação que sustenta o conjunto. Não se trata de um creme liso, mas sim de uma preparação com textura granulosa, e isso transforma completamente a experiência.
As raspas, e o suco do limão, introduzem uma acidez aromática que realça o recheio e limpa o paladar. Em termos de harmonização com vinhos, este ponto é crucial: sobremesas cítricas pedem vinhos com boa acidez, aromas frescos e doçura bem integrada, para que a combinação seja harmoniosa e não enjoativa.
Geralmente nos inclinamos para vinhos brancos aromáticos, espumantes ou vinhos doces equilibrados.
Abrimos o Cava Pata Negra demi-sec, com suas notas cítricas e frutadas, borbulhas finas e sua doçura moderada fez um bom casamento com o bolo, faltou um pouco de acidez ao vinho para limpar bem o paladar, mas nada que nos impediu de dividir a segunda fatia do bolo e encher nossas taças novamente.
Um moscatel brasileiro fresco e bem elaborado daria Bossa aqui. Suas notas florais, toques de raspas de cítricos e frutas maduras harmonizariam perfeitamente com o limão e a cremosidade da ricota.
E se você quiser explorar ainda mais, o BCA ajuda você a descobrir novas ideias, comparar estilos e encontrar aquele vinho que faz tudo se encaixar perfeitamente. Porque quando a comida e o vinho estão em harmonia, a refeição se torna inesquecível.
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Saúde sempre!
Beijo no coração.
Você vai precisar:
750 gramas de ricota fresca 
250 gramas de açúcar 
2 ovos
60 gramas de amido de milho 
1 limão grande ( ou dois pequenos), raspas das cascas 
Em uma tigela misture a ricota com o açúcar e as raspas do limão, mexa.
Em seguida, acrescente os ovos e o suco do limão, mexendo novamente.
Por último, acrescente o amido de milho e mexa até obter uma massa homogênea.
Forre uma forma de bolo de 22cm com papel manteiga.
Asse em forno estático a 180 graus por cerca de 40 minutos ou até dourar..
Retire do forno, deixe esfriar e sirva.
Você sabia...
Embora partilhe algumas semelhanças com outros tipos de Cava, como o Brut e o Extra Brut, o Cava Demi-sec distingue-se pela sua doçura moderada, tornando-se uma escolha popular para quem prefere um espumante menos seco.
Macabeo, Xarel-lo e Parellada são as uvas mais comuns na sua produção.
Ao vinho base uma mistura de açúcares e leveduras, conhecidas como " licor de tiraje" é adicionada, o vinho é então engarrafado para uma segunda fermentação. O açúcar adicionado é o que confere ao Cava Demi-sec a sua doçura característica.
O Cava é originário da Catalunha - Espanha 

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Macarrão da vó


Em outubro, fará cinco anos que minha mãezinha está morando no céu.
Quando esfria, a comida de conforto não só minha, mas de toda a família, é o seu macarrão ensopado, que foi batizado de " macarrão da vó" quando as netas nasceram.
Hoje a saudade apertou e, como a tristeza não pode fazer morada no coração da gente, abri um vinho e resolvi compartilhar com vocês o meu comfort food, que vai acompanhado do amor de uma mãe que viveu para fazer sua família feliz e nos encher de muito amor. Aliás, ela amava me presentear com garrafas de vinho; sempre escolhia uma diferente e única.
Como dizia o poeta: As mãe deveriam ser eternas.
A filha da Dona Vina está na cozinha preparando macarrão ensopado com carne moída e batatas.
E sim, beber vinho com sopa é tão bom quanto com caça ou sobremesa. A harmonização nem sempre é óbvia, e é por isso que o BCA existe. Como sempre digo, para uma combinação dar match, escolha o vinho com base nós ingredientes.
Na verdade, devemos buscar um equilíbrio não apenas de sabores e aromas, mas também de texturas. 
Vamos supor que você prepare um creme ou um veloutės: textura delicada, uma sopa cremosa! Um vinho branco é sempre bem-vindo. 
O Chardonnay, em particular, com seu aroma e sabor amanteigado, combina bem com esse tipo de sopa.
Já o macarrão da vó, que é um macarrão ensopado com carne moída e batatas, tem uma maior combinação de ingredientes. Portanto, escolha um vinho que complemente o sabor da proteína e dos carboidratos, criando um equilíbrio harmonioso que realce toda a refeição. Opte por brancos leves e frescos, como um Pinot Grigio, um espumante ou um rosé, que ajudam a equilibrar os sabores do prato e refrescam o paladar, criando uma bela experiência. Esses vinhos têm um perfil de sabor mais redondo e frutado, que combina bem com o sabor intenso do macarrão da vó.
Funcionam também para minestrone , capeletti in brodo e sopas mais incorpadas.
Se você é do time das sopas asiáticas, harmonizar um ramen de missô pode ser um desafio. No entanto, algumas opções funcionam muito bem. Vinhos aromáticos como Gewürztraminer ou Riesling possuem um perfil aromático intenso e um toque de acidez que contrastam perfeitamente com o prato e realçam o paladar.
Para preparar a receita você vai precisar:
400 gramas de patinho moído 
4 batatas cortadas em cubos médios 
1 cebola grande picada
4 colheres (sopa) óleo 
2 tabletes de caldo de galinha
2 colheres (sopa) extrato de tomate
Sal e pimenta-do-reino a gosto 
1 1/2 litros de água quente
1 pacote de espaguete número 8
Modo de preparo 
Em uma panela grande, aqueça o óleo e refogue a cebola.
Acrescente a carne moída e refogue mais um pouco, tomando cuidado para não fritar.
Acrescente as batatas e mexa até que todas estejam envoltas pela carne, por cerca de 2 minutos.
Tempere com sal e pimenta-do-reino a gosto.
Acrescente toda a água quente, assim que ferver e as batatas estiverem al dente, adicione os caldos em tablete, o macarrão e mexa. Deixe cozinhar por aproximadamente 6 minutos (o tempo vai depender da marca da sua massa).
Na metade desse tempo, acrescente o extrato de tomate, mexendo para incorporar tudo.

Dica: o macarrão da vó é bem caldoso e o caldo seca conforme o prato esfria, por isso sugiro comê-lo na hora. Um consenso entre as filhas e netas da Dona Vina, assim que o prato chega à mesa, todas nós amassamos as batatas para engrossar ainda mais o caudinho.


Mãe, obrigada por tudo e por tanto.

Um ótimo final de semana.
Beijos no coração.
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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Croissant - Harmonização pão e vinho


Beber, Comer e Amar..
O Marcelo sempre gostou de fazer pão depois que chegava do consultório, pois para ele é uma higiene mental. Como o preparo é demorado por causa da fermentação, nossos pães saíam de madrugada, ganhando a alcunha de " Pão da Madrugada".
Ao meu ver, o croissant é um dos pães mais difíceis; é preciso a delicadeza de um cirurgião para abrir e dobrar essa massa rica em manteiga. Paciência e leveza, como tudo na vida! Lhes apresento o " pão da madrugada, o retorno", para aqueles que nos acompanham desde o início.
Aliás, croissant é um dos meus "pecados" favoritos! Eu me declaro culpada!
Primeiro, preciso explicar como tive essa ideia de combinar meu pão favorito com uma das minhas bebidas favoritas...
Enquanto saboreava um croissant no Café Girondino, percebi que nunca havia comido um croissant com a bebida mais óbvia de todas: Vinho! 
Sorte a nossa que ainda tínhamos um espumante Nature da Casa Valduga na adega, não titubiei, apesar do frio que está fazendo em Sampa, coloquei-o no gelo para testar o pareamento, e não é que deu bossa!
Acho que um Blanc de Blancs também cumpriria um ótimo papel nesta harmonização, pois não sobrecarrega o paladar, deixando-o fresco e pronto para a próxima mordida. Prefira também os de dosagem mais baixa ou sem nenhuma. Pensei até num tranquilo de Chenin Blanc; com seu sabor floral, picante e semi-seco, ele pode harmonizar com a crostinha mais queimadinha.
Que tal aproveitar o fim de semana e aventurar-se na panificação?
Você vai precisar:
Para a massa:
500 g de farinha ( o ideal é a própria para folhar) o Má fez com a normal.
50 g de açúcar 
10 g de sal
10 g de fermento biológico seco
150 ml de leite gelado
100 ml de água gelada
40 g de manteiga sem sal (em ponto de pomada)
Para as dobras ( laminação)
250 g de manteiga sem sal de boa qualidade.
Preparo da massa
Em um tigela, misture a farinha, o açúcar e o sal. Adicione o fermento dissolvido no leite gelado, a água gelada e os 40 g de manteiga. Sove a massa até ficar lisa e elástica, tomando cuidado para não esquentar muito a massa.
Embrulhe em plástico filme e deixe 1 horas na geladeira.
Preparo da manteiga 
Abra os 250 g de manteiga entre dois plásticos ou papel manteiga, no tamanho de 15x15 cm. Leve a geladeira para firmar.
Envelopamento 
Abra a massa em um retângulo que seja o dobro do tamanho do quadrado da  manteiga, coloque a manteiga no centro e dobre as pontas da massa por cima, selando bem as bordas.
Dobras e voltas 
Abra a massa com um rolo em um retângulo comprido. Dobre em três partes ( como uma carta).
Repita essa dobra mais duas vezes ( totalizando três dobras) levando a massa para gelar por 30 minutos entre cada dobra.
Montagem
Abra a massa até ficar com 3 mm a 4 mm de espessura. Corte triângulos de 10 cm cada. Faça um pequeno corte no centro da base e enrole cada triângulo da base para a ponta.
Coloque os croissant numa assadeira e deixe descansar em temperatura ambiente por duas horas ou até dobrarem de volume.
Pincele gema com leite e asse em forno préaquecido a 200 graus por cerca de 8 minutos; em seguida, baixe para 180 graus e termine de assar até dourar, cerca de 10 a 15 minutos.
Saúde sempre!
Beijos no coração.
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Canederli "bolinhos de pão"


É tão apaixonante ver o Marcelo cozinhando!
Ontem, entramos madrugada adentro tentando reproduzir um prato do norte da Itália chamado Canederli, que havíamos visto num programa de TV.
A base já tínhamos, lembra do caldo de cogumelos que preparei na semana retrasada? Foi nosso ponto de partida. E para entrelaçar as coincidências da vida, nossos sobrinhos Carol e Bruno trouxeram da última viagem um Nero D'Avola e nós presentearam. Aliás, os titios agradecem pelos diversos mimos.
Então, para celebrarmos os presentes da vida, que hoje são tão raros como tempo e carinho, eis o prato da madrugada.
Canederli in brodo di funghi.
Canederli é um prato simples de fazer e tão gostoso! Chamados de "bolinhos de pão" são feitos com pão amanhecido, presunto e queijo na versão original. A nossa foi feita com bacon e ficou maravilhosa.
Para harmonizar La Ferla Nero D'Avola - Sicilia - DO.
Essa versão jovem do Nero D'Avola, com acidez marcante e perfil frutado é agradável e fácil de beber.
Como no brodo usei cogumelos shimeji que são mais delicados, o prato ganhou vivacidade com a acidez refrescante do vinho.
Aqui estão os ingredientes que você precisar:
150 ml de leite integral 
1 pão tipo italiano ( aproximadamente 500g) amanhecido e sem casca.
1/2 colher (sopa) de manteiga 
2 ovos
2 colheres ( sopa) de farinha trigo
1/2 cebola picada 
Cebolinha a gosto 
200g de bacon ou presunto cru cortados em cubos 
Sal e pimenta a gosto.
Preparo
Primeiro, retire a casca do pão, corte-o em cubos e deixe-os de molho no leite por 20 minutos.
Enquanto isso, numa frigideira refogue a cebola com 1/2 colher de manteiga, acrescente o bacon e frite (reserve).
Passado os 20 minutos, amasse o pão com as mãos até obter uma massa homogênea, adicione a pimenta-do-reino, os ovos e a farinha e amasse bem, acrescente a massa o bacon refogado reservado, a cebolinha e delicadamente com as mãos encorpore tudo.
Molhe as mãos com um pouco de água, pegue uma pequena porção e faça bolinhos do tamanho de uma bolinha de ping-pong.
Leve o caldo de cogumelos ( receita aqui no blog) ao fogo, assim que ferver, acrescente os canederlis, um a um, colocando no máximo 5 por vez, dependendo do tamanho da sua panela ( eles devem ficar submersos no caldo).
Deixe cozinhar por 15 minutos.
Para empratar coloque o brodo de cogumelos no fundo do prato e por cima os canederlis.

 
Bom apetite!
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