quarta-feira, 25 de maio de 2022

Harmonizando café e comida


Aqui no BCA harmonizar vinho e comida é coisa corriqueira. Mas você sabia que também podemos combinar com o mesmo prazer gustativo café e algumas comidinhas! Pois assim como no vinho, é cientificamente comprovado que o café tem centenas de sabores.
Então, ainda no ritmo de comemoração do dia Nacional do Café que foi ontem, 24 de maio vamos embarcar nesta viagem cheia de energia!
Mas antes de embarcar nos emparelhamentos, é preciso primeiro entender que cada grão tem um sabor particular. Assim como as regiões vinícolas, é possível categorizar os sabores do café de acordo com os países que o produzem, e aqui dentro do Brasil de acordo com as regiões.
É preciso estar atento à origem do grão, mas também à torra (clara-média-escura) e ao modo de preparo. Um café de filtro, por exemplo, terá menos força na boca do que um café passado por uma cafeteira italiana.
Sempre lembrando que no café há um lado ácido, um lado amargo e um lado frutado e doce.
Algumas possibilidades:
Se você consome frutas no café da manhã. Um café muito ácido com uma fruta cítrica pode dar um resultado excessivo na boca.
Mamão, melão e banana se beneficiam de um cafe de torra média, com mais doçura e redondeza.
Não abre mão de um croissant ou brioche. Prefira um café forte, mas levemente torrado, com notas de melaço e cacau, para realçar a gordura dos pães.
Vai de bolo no lanche da tarde. O café aveludado se presta bem, pois é composto de muitos aromas, mas não é muito forte na boca.
Agora o queijo!!! É uma das coisas que combinam melhor com café, mas para uma combinação bem-sucedida, lembre-se de uma coisa: um queijo forte pede um café encorpado.
Para queijos mais frescos, opte por um café com sabor menos intenso, mas com uma leve acidez próxima à do queijo degustado.
O café também pode ser usado na cozinha para enriquecer os sabores.
Aviso aos amantes do churrasco!!!! Você que está acostumado a marinar carnes em azeite, limão e vinho, aqui vai uma sugestão de marinada com café para carne bovina que vai te surpreender.
Basta misturar alho, cebola, café forte, vinagre balsâmico, mostarda, açúcar mascavo, sal e pimenta as quantidades ficam ao seu critério dependendo do peso e corte de carne, uma dica é ir experimentando até que fique do seu gosto.
Adicione os bifes e deixe marinar por 1 hora em temperatura ambiente.
Agora é só grelhar e terá um agradável sabor de café.
Dizem que deglaçar um refogado de cogumelos com cafe fica divino, mas essa receita ainda não tentamos.
O que também faz sucesso aqui em casa é o bom cafezinho coado, aí você saboreia um pedacinho de cocada queimada, e vai à loucura com a combinação de sabores.

sábado, 21 de maio de 2022

A melhor torta de cebola do mundo!

 



 
Beber, Comer e Amar...
Torta de Cebola
Um clássico na França, essa torta tinha que estar no nosso blog, pois é uma de nossas preferidas.
Como entrada ou como prato principal para uma refeição rápida, é muito simples e prática. Requer só cortar as cebolas em fatias sem se debulhar em lágrimas, massa quebradiça, um toque de creme para dar liga, manteiga pois ninguém é de ferro, noz-moscada para apimentar e, acima de tudo, um sabor tão poderoso quanto irresistível que compensa as poucas lágrimas derramadas ao cortar as cebolas.
Quando o assunto é vinho, você pode optar por vinhos brancos aromáticos, com notas frutadas e florais, e boa acidez.
Um branco cítrico, vivo e delicado também é ideal para contrabalançar o lado doce da cebola.
Ou um branco com mais mineralidade e alguma especiaria que pode trazer dimensão ao prato.
E porque não um Espumante? Com espumante todo prato fica mais leve!
Ainda mais se tiver bolhas finas, persistentes e notas de avelã que harmonizam lindamente com a cremosidade desta  torta de cebola.
São tantas as possibilidades, você só precisa encontrar vinhos com estrutura suficiente para se destacar contra o sabor forte da cebola.
Então, como a gente sempre diz:
Se joga, deguste um vinho diferente, faça uma receita diferente e desperte todos os seus sentidos.
Saúde sempre!



Vamos a receita:
Torta de cebola

Recheio
2 colheres sopa de óleo
2 colheres sopa de manteiga
2 latas de creme de leite
2 kg de cebolas cortadas em rodelas
6 ovos
Sal e noz-moscada q.b
Preparo
Frite as cebolas no óleo até que fiquem transparentes tempere com sal e noz-moscada.
Deixe esfriar e acrescente os ovos batidos e o creme de leite, reserve.

Massa
300 g de manteiga
6 gemas
Farinha de trigo o suficiente para a massa (massa podre)
Queijo parmesão ralado na hora
Preparo
Amassar todos os ingredientes colocar em forma de aro removível, furando com o garfo o fundo e os lados da massa.
Colocar o recheio e polvilhar por cima queijo ralado.
Levar para assar em forno preaquecido a 180 graus.



 

 

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Falta inspiração para sua próxima refeiçao?

 


Beber, Comer e Amar...
Falta inspiração para a sua próxima refeição?
A combinação certa de comida e vinho pode criar uma experiência gastronômica emocionante, um todo delicioso que é realmente maior que a soma de suas partes.
A combinação de vinho e massa é uma delas, com uma infinita variedade de molhos e diferentes preparos.
Hoje, o Má está na cozinha preparando Linguine com cogumelos paris acompanhado de medalões de cordeiro.
Os cogumelos, compostos por mais de 90% de água, possuem notas amargas e o famoso sabor "umami", que pode ser traduzido como "saboroso", descoberto em 1908 pelo pesquisador japonês Kikunae Ikeda. Para harmonizar a dica é escolher o seu vinho de acordo com o tipo de prato e o tipo de cogumelo.
Por serem ricos em umami, isso faz com que eles combinem melhor com vinhos de baixo teor alcoólico, que sejam frutados e com boa acidez.
O Pinot é conhecido por seu aroma de "chão molhado" e é complemento perfeito para os cogumelos de todos os tipos.
Seu corpo mais leve evita dominar os outros sabores, e as notas de frutas vermelhas iluminam toda a experiência com seu frutado.
Considere um Pinot de uma região fria (como o que escolhemos hoje - Patagônia - Argentina) ele entregará vinhos com aromas de frutas vermelhas ( morango, framboesa, cereja) com notas vegetais ( folhas molhadas, cogumelos) sendo também um bom acompanhante para o medalhão de cordeiro.




A receita é simples.
1. Cozinhe o linguine em água com sal até ficar al dente.
2. Reserve 1 xícara da água do cozimento.
3. Escorra o macarrão.
4. Em uma frigideira refogue 2 dentes de alho e 1 cebola picada com azeite, assim que a cebola murchar acrescente os cogumelos cortados, refogue ate que fiquem macios, tempere com sal e pimenta.
5. Acrescente o linguine (já escorrido) mexa e vá acrescentando aos poucos a água reservada do cozimento, até obter a cremosidade desejada.
Obs: os medalhões foram comprados prontos, foram selados na frigideira por 1 minuto de cada lado e depois finalizados no forno.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Salmão de um jeito que você nunca viu - Espumante Salvattore



Beber, Comer e Amar...
Má na cozinha preparando Salmão envolto em massa folhada.
Você provavelmente conhece aquela máxima, carne vermelha com vinho tinto e peixe com vinho branco. No entanto, com a grande variedade de carnes, grande variedade de peixes e várias maneiras de prepará-los, essa máxima não é tão preto no branco quanto você imagina.
Ainda mais quando se trata do salmão, um peixe com o qual as pessoas tem mais dúvida na hora de harmonizar.
Se um vinho branco seco e jovem acompanha muito bem o salmão em geral, há uma preocupação em conta nesta combinação. Sendo o salmão um peixe rico e gorduroso, não é aconselhável acompanhá-lo com um branco com as mesmas características para não pesar no paladar.
Quando pensamos em tintos, melhor um tinto leve com taninos finos. Na linha dos rosés, prefira os com notas de cerejas e especiarias que irão adicionar mais uma camada de sabor ao prato, e sua acidez contrastará com a natureza desse peixe em particular.
Já os espumantes, uma combinação delicada, que em especial para esse prato, cujo salmão foi envolto com massa folhada e ainda recebeu camadas de duxelles de cogumelos e alho-poró. A acidez e a frescura do espumante trouxeram uma bela vivacidade à gordura do salmão.
A delicadeza e a aromaticidade deste Brut destacaram ainda mais a beleza do prato.



Salvattore Espumante Brut
Serra Gaúcha - Flores da Cunha - RS - Brasil
Uva: Chardonnay - 11,0 % álcool
Método Charmat - açúcar residual 11,2 g/l
Perlage fina e consistênte, frutado (frutas cítricas, maça verde), floral e notas de pão tostado.
Ótima acidez, seco, refrescante.
Viram como as combinações são infinitas? É por isoo que todas as dicas que postamos aqui no BCA são o resultado do desejo de compartilhar, oferecendo a você uma variedade de combinações entre vinho e comida que convida à descoberta e à experimentação.
Vamos a receita:
1 posta de 500 gramas de salmão (sem a pele e sem espinhos)
3 alhos-porós picados (só a parte branca)
200 gramas de cogumelos shitake picados
1 colher (sopa) manteiga
1 rolo de massa folhada
Farinha q.b
Sal e pimenta a gosto
gema de ovo para pincelar
Preparo:
1. Aqueça uma frigideira e acrecente a manteiga, deixe derreter, acrescente o alho-poró e o shitake, refogue até ficar al dente, acerte o sal e a pimenta e reserve.
2. Coloque o refogado na geladeira para esfriar mais rápido.
3. Em uma bancada, abra a massa folhada , passe um pouco de farinha,
4. Coloque a posta de salamão bem seca no centro da massa e tempere com sal e pimenta, coloque o refogado já frio (drenado) por cima do salmão e feche a massa folhada, para fechá-la pincele as extremidades com gema.
5. Corte o que não for usar da massa e descarte.
 6. Pincele também a massa folhada por fora com a gema e leve ao forno preaquecido a 180 graus por 15 minutos ou até dourar a massa.

sábado, 30 de abril de 2022

Beirute - O sanduíche original




Beber, Comer e Amar...
Má na cozinha preparando Beirute.
Aqui em casa tem sempre espaço para um bom vinho e um belo sanduíche.
Carla, pode harmonizar sanduíche com vinho?
Não só pode como deve! 
Os sanduíches como qualquer prato, provocam diferentes reações na boca, dependendo do recheio temos untuosidade, condimentação, suculência, acidez, amargor, e até mesmo o peso do sanduíche como um todo (se ele é mais digerível, ou de difícil digestão) vai nos direcionar para as combinaçôes com o vinho, sendo assim, o corpo do vinho deve estar equilibrado com o peso do sanduíche.
Então, se joga no fim de semana e desfrute desta experiência gustativa deliciosa.
Se a lenda diz que Lorde Montagu, o quarto Conde de Sandwich - Inglaterra, foi a primeira pessoa  do mundo a intercalar um recheio entre duas fatias de pão. É fato, que o Beirute foi criado em Sâo Paulo.
Sim! o sanduíche nascido Beiruth, surgiu no restaurante Bambi, da Alameda Santos, em 1950. Resume-se a pão árabe aberto, recheado com fatias finas de rosbife, rodelas de tomate, lâminas de muçarela e orégano, cortado em quatro partes.
Seu criador Fares Sader, imigrante libanês, proprietário do Bambi deu o nome Beirute para homenagear sua cidade natal.
Nosso Beirute "original" é um sanduíche com um certo peso na boca, pois leva carne e muçarela, também tem uma boa intensidade de sabores o que nos leva a escolher um vinho tinto seco de médio a bom corpo.



Optei por um exemplar brasileiro de Minas Gerais - Colheita de Inverno
Maria Maria Eva Syrah 2018
Boa Esperança - Minas Gerais - Brasil
100% Syrah - 14,3 álcool
Aromas de frutas vermelhas, cereja, couro e louro.
Em boca taninos macios, boa acidez, corpo médio, fácil de beber.
Que tal preparar esse delicioso Beirute?
Eu como sempre, contribuo com a receita.

Ingredientes (rende 1 sanduíche )
1/2 kg de largato limpo, sem gordura (essa quantidade de carne dá para uns 6 sanduíches)
4 rodelas finas de tomate com casca
1 pão árabe
5 fatias finas de muçarela
Orégano para salpicar
Sal a gosto
Preparo
1. Em uma panela (pode ser de pressão), cozinhe a carne em água com sal, até ficar macia. Evite que passe demais, para não perder o suco.
2. Depois de fria, corte a carne em finas fatias. Para um beirute serão utilizadas de quatro a cinco fatias. 
3. Salpique as rodelas de tomate com sal.
4. Abra o pão árabe ao meio. De um lado do pão, coloque de 4 a 5 fatias de rosbife e, em cima, as rodelas de tomate. Do outro lado, disponha as fatias de muçarela e salpique um pouco de orégano.
5. Leve as duas metades (abertas) ao forno bem quente (preaquecido a 250 graus), por cerca de 5 minutos. Retire, feche o beirute e retorne-o ao forno por mais 5 minutos.
6. Sirva o sanduíche imediatamente, cortado em quatro partes.

(Reeceita de Fares Sader, o criador do sanduíche, em São Paulo, SP)
Fontes: J.A.Dias Lopes - Sanduíches
ABIP 


terça-feira, 12 de abril de 2022

Delicioso Arroz de Polvo - Vinho Shiraz

 


Beber, Comer e Amar...
Má na cozinha preparando Arroz de Polvo.
Sabe aquele prato único, de sabor marcante e visual magnífico?
A receita de hoje é assim, apetitosa, completa e de encher os olhos dos comensais.
Seja ao estilo português tipo "malandrinho" ( que segundo aprendi com uma amiga de nacionalidade portuguesa) é cozido em maior volume de caldo; seja ao estilo espanhol, muito apreciado na Galícia (terra dos meus avós), ou ao estilo baiano, sim!!!! o arroz de polvo também é um prato típico em Salvador, muito comum no litoral baiano, principalmente em botecos.
Hoje, o Marcelo contou com a ajuda mais do que especial de seu afilhado Victor, juntos prepararam essa iguaria de comer de joelhos.
O prato é uma adaptação da receita disponibilizada na internet do chefe Claude Troisgos, que usa vinho Shiraz na cocção.
Para harmonizar escolhi o mesmo Shiraz.
Mas Carla, o tanino do vinho combinado com o iodo presente nos frutos do mar, não vai causar a tal sensação metálica na boca?
É aí que está o pulo do gato! O polvo possui baixíssimo teor de iodo, sendo assim, não vai metalizar o seu vinho.
É claro que alguns vinhos tintos harmonizam melhor com a carne de polvo, ira depender da receita, dos ingredientes e do modo de cocção do mesmo.
Mas garanto que polvo e vinho tinto formam um casal perfeito.
Quanto ao vinho, além de ter sido acrescido no preparo do prato, dando um plus na harmonização, o Shiraz de hoje caiu como uma luva, a garrafa foi num piscar de olhos, e os comensais beneficiados pela acidez do mesmo, repetiram a iguaria.


Amitié Colheitas Shiraz 2020  - 14% álcool
Colheita de Inverno por meio de dupla poda
Terroir Serra da Mantiqueira - Minas Gerais
Estágio: 6 meses de barrica de carvalho frances
Elaborado com uvas colhidas em tempo seco na região de Andradas - Sul de Minas
Cor rubi intensa, aromas de frutas maduras vermelhas e negras, chocolate, especiarias doces, toque de pimenta preta e defumado.
Corpo médio, boa acidez, tanino redondo, álcool bem integrado.
Que tal preparar essa iguaria?
Eu como sempre, contribuo com a receita.
Ingredientes do polvo
1,5 kg de tentáculos de polvo congelados
2 mãos de sal grosso
azeite q.b
1 cabeça de alho cortada ao meio
1 cebola em cubos grandes
1 cenoura cortada em cubos grandes
1 ramo de alecrim
1 ramo de tomilho
2 folhas de louro
Água fervente q.b
Preparo;
1. Descongele o polvo
2. Disponha os tentáculos do polvo em uma tigela, acrescente sal grosso e massageie os tentáculos imprimido força, por 5 minutos.
3. Lave bem em água corrente.
4. Em uma panela de pressão coloque azeite até cobrir o fundo, deixe esquentar e acrescente o alho, a cenoura, a cebola e as ervas, mexa bem.
5. Junte os tentáculos inteiros e refogue-os até ficarem vermelhos.
6. Cubra com água fervente e feche a panela de pressão.
7. A partir do momento em que o vapor começar a sair, conte 10 minutos de cozimento.
8. Retire a pressão da panela e abra a tampa.
9. Retire o polvo e reserve o caldo.
10. Corte os tentáculos em pedaços médios e reserve.

Ingredientes do arroz
2 colheres de azeite extra virgem
200 gramas de chorizo espanhol (ou linguiça calabresa) em rodelas
200 gramas de bacon em cubos
2 cebolas roxas picadas
1/4 de pimenta dedo-de-moça picada
20 azeitonas pretas sem caroço
100 ml de cachaça
200 ml de vinho shiraz
400 gramas de arroz
150 ml de tomate pelati em cubos
Caldo coado do polvo (fervente)
Sal, pimenta-do-reino e azeite q.b
Preparo:
1. Em uma panela refogue no azeite o chorizo e o bacon.
2. Adicione o polvo cortado e caramelize bem.
3. Junte a cebola, a pimenta dedo-de-moça, as azeitonas e refogue.
4. Flambe com cachaça.
5. Junte o vinho tinto e refogue bem
6. Acrescente o arroz e deixe suar mais um pouco.
7. Cubra com o caldo do polvo fervente.
8. Cozinhe semi tampado em fogo baixo, mexendo de vez em quando.
9. Quando estiver quase secando, vá adicionando mais caldo de polvo.
10. Com 8 minutos de cozimento, junte o tomate pelati e misture bem.
11. Acrescente mais caldo de polvo quando necessário, misturando bem.
12. Com 16 minutos de cozimento, acrescente sal e pimenta-do-reino, regue com azeite, misture, confira se o arroz está cozido, desligue o fogo e sirva a seguir.

O Beber, Comer e Amar deseja uma ótima Páscoa para todos.

" Por que Deus permite
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenininho
feito grão de milho.:
(Carlos Drummond de Andrade)


sábado, 26 de fevereiro de 2022

Você conhece a Paella do Rio Grande do Sul?

 


Beber, Comer e Amar...
Má na cozinha preparando Paella Campeira ( versão da tradicional paella espanhola que tem como base frutos do mar, açafrão e arroz) transformada num prato com a cara do Sul do Brasil com charque, diferentes tipos de linguiças, arroz agulhinha, ervas aromáticas e temperos, ingredientes comuns à cozinha gaúcha. 
A cozinha campeira se desenvolveu na região dos Pampas, onde se formou a figura do homem gaúcho, caracterizada pela criação de ovinos e bovinos, foi formada pela junção das influências gastronômicas de índios, portugueses e espanhóis.
Sendo que o estado gaúcho, pela sua geografia, terá um tipo de cozinha por região, influenciadas pela tradição cultural dos diversos imigrantes e das nações vizinhas, que estão presentes em cada prato, em cada detalhe, em cada herença.
Quando o assunto é vinho, para harmonizar com essa diversidade de sabores precisamos de um vinho aromático e com boa acidez para equilibrar o prato.
Escolhi um Rosé brasileiro da Vinícola Zanella do terroir da região de Antônio Prado, local de transição entre a tradição da Serra Gaúcha e o novo mundo dos Vinhos de Altitude.
Villa de Vinhas Rosé 2020



Elaborado com a casta Merlot
Coloração límpida, aromas que lembram, framboesa e morango.
Acidez refrescante, fácil de beber, gastronômico.
Que tal preparar essa iguaria?
Eu como sempre, contribuo com a receita.

Paella Campeira
Ingredientes:
400 g de carne-de-sol
1 paio
1 linguiça calabresa
2 linguiças toscanas frescas
2 tomates cortados ao meio
2 tomates picados em cubos
1 cebola roxa cortada em 4 rodelas grossas
4 dentes de alho amassados
1 cebola branca média picada em cubos pequenos
1/2 colher (sopa) de colorau
1 pimenta dedo-de-moça sem sementes
cebolinha ao gosto
1/2 colher de sopa de manteiga
óleo de girassol
2 xícaras de arroz agulinha
2 folhas de louro
Preparo;
1. Antes de iniciar a receita, dessalgue a carne-de-sol.
Depois de tirar o excesso de sal, cozinhe a carne até que fique macia.
2. Em uma panela (paellera ou tacho), coloque a manteiga e um fio de óleo e doure os tomates cortados ao meio e as rodelas de cebola roxa, Reserve.
3. Em seguida, doure na mesma paellera, as linguiças toscanas inteiras até que estejam firmes. Depois corte as linguiças em rodelas e continue dourando. Reserve.
4. Depois, refogue na paellera, a carne seca desfiada grosseiramente e, em seguida, as linguiças restantes.
5. Devolva a linguiça toscana à panela, junto com a carne, a calabresa e o paio, acrescente o alho e a cebola, a pimenta e refogue um pouco mais.
6. Acrescente o colorau e em seguida os tomates cortados em cubos.
7. Coloque o arroz, o louro, incorporando aos demais ingredientes na panela. Acerte o sal.
8. Junte á mistura 4 xícaras de água fervente e cozinhe, em fogo médio.
9. Quando o arroz estiver macio, acrescente os tomates e cebolas grelhados e a cebolinha.
Bom apetite!

Você sabia...
Rio Grande do Sul
A região mais ao sul do Brasil, que faz divisa no norte, com Santa Catarina, no sul, com Uruguai, no leste, com o Oceano Atlântico e, no oeste, com a Argentina.
Povo que se formou a partir das raízes de índios que viviam nos Pampas, e do europeu imigrante.
O gaúcho é bastante apegado ás suas tradições, da mescla de índios guaranis com portugueses e espanhóis, nasceu o tipo característico dos Pampas. Foi ele o responsável por difundir o gosto pela carne de charque, produto importante para sua sobrevivência e que se tornou, no século XX, um dos destaques da economia local.
Cada região, um tipo de culinária, a já mencionada Cozinha Campeira oriunda dos Pampas, a Cozinha Missoneira que tem como característica o fato de ser mais urbanizada, por conta da influência do europeu que veio catequizar. E por fim, as tradições italianas marcam as regiões da Serra, onde as características geográficas locais deram condições para o surgimento da mais importante produção de vinho do país.
É interessante notar como essa tradição foi bem conservada e nutrida, no Rio Grande do Sul cada povo conseguiu manter as suas herenças gastronômicas. Se por um lado essa rigidez impediu o surgimento de novos pratos locais, por outro tornou muitas receitas estrangeiras algo costumeiro para nós, enriquecendo a gastronomia do Brasil.

Fonte:
Cozinha Brasileira de Raíz. Andrea Cristina Shima da Motta
Dani Borges