terça-feira, 23 de maio de 2023

A melhor quiche do mundo


Está é uma receita que costumamos preparar em casa para aqueles dias corridos é uma refeição perfeita, basta uma salada verde para acompanhar.
Beber, Comer e Amar...
Má na cozinha preparando Quiche clássica. 
Já postamos anteriormente uma quiche de massa podre, a diferença entre essa é que a de hoje é com massa brisèe.
De acordo com a tradição francesa, a quiche é uma torta feita com massa brisèe coberta por um creme chamado migaine feito de ovos e creme fresco.
Tudo começou com a Quiche Lorraine em 1586, originária da região de Lorraine, nordeste da França, feita com massa brisèe, ovos, creme e bacon que, até hoje é a queridinha da França.
Com o tempo, surgiram as variantes e uma delas é a de alho-poró, para quem gosta do vegetal é um prato cheio.
Para harmonizar escolhi um vinho brasileiro, um corte de Chardonnay com Viognier da Quinta Don Bonifácio que fez um bom contraponto com a textura cremosa da quiche.



Vamos a receita.
Massa
180 gramas de farinha de trigo
90 gramas de manteiga
1 ovo inteiro
1/4 colher (chá)  de sal
Recheio
360 ml de creme de leite fresco
4 ovos
200 gramas de alho-poró
1 colher (sopa) de azeite
1/2 colher (chá) de sal 
Pimenta-do-reino a gosto
noz-moscada a gosto
Preparo da massa
Em uma tigela, coloque a farinha e a manteiga em cubos gelada.
Mexa com as pontas dos dedos até virar uma farofa.
Adicione o ovo ligeiramente batido e o sal, misture bem.
Em segida, trabalhe a massa com a palma das mãos até ficar homogênea.
Faça uma bola, envolva em papel filme e leve á geladeira por no mínimo 30 minutos.
Préaqueça o forno a 200 graus. 
Abra a massa sobre uma superfície enfarinhada em formato circular com o auxílio de um rolo.
Coloque a massa numa forma redonda de 24 diâmetros, ajustando com os dedos base e lateral.
Com uma faca corte as sobras de massa.
Fure a base com um garfo e despeje feijões crus por todo o fundo.
Asse por 25 minutos.
Preparo do recheio
Em uma frigideira coloque o azeite e refogue o alho-poró cortado em rodelas finas, até que fique macio.
Em uma tigela misture os ovos, creme de leite, sal, pimenta e noz-moscada.
Coloque o alho-poró refogado sobre a massa já fria, em seguida a mistura de ovos e creme de leite delicadamente até cobrir todo o alho-poró.
Asse em forno préaquecido 180 graus por 25 minutos ou até dourar.



Saúde sempre!
Estamos também no instagram, passa lá!!!

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Flor de polenta - O trivial pode ser sublime!

 

A linda cor amarela ensolarada da polenta, guarnecida de pêras e molho de gorgonzola prova que o trivial pode ser sublime! 
Beber, Comer e Amar...
Má na cozinha preparando flor de polenta.
A polenta é um alimento cuja a história se perde no tempo. E o gorgonzola, queijo azul italiano por excelência que leva o nome de uma pequena cidade nos arredores de Milão, não fica atrás.
Para essa versão moderna de polenta usamos o gorgonzola dolce, isso mesmo, o gorgonzola possui tipos diferentes segundo sua DOP. 
Gorgonzola Doce: maturação mínima de 50 dias, com massa espalhável, branco leitoso e marmoreio pouco evidente. O cheiro e o aroma são bem delicados com notas lácteas e vegetação rasteira. Mesmo o sabor não é muito agressivo, com um ligeiro picante, uma tendência doce evidente e, por vezes, nota amarga muito ligeira.
Gorgonzola Picante: na forma grande (cura mínima de 80 dias) na forma pequena (cura mínima de 60 dias), com massa cor de palha em que o marmoreio se destaca abundante, massa semidura, é compacta e plástica, mas muito solúvel no acabamento.
O perfil olfato-gustativo é intenso e agressivo.Olfato e aroma, muito evidentes e persistentes, apresentam notas de cogumelos, herbáceas e com maturação avançada também apresentam aromas de amoníaco, tudo sobre base láctea.
O sabor é dominado por uma sapidez pronunciada, especiaria intensa e, uma nota fial amrga aprecível e equilibrada.
Quem acompanha o BCA sabe que quando o assunto é harmonização quem dá o norte é o molho.
A combinação de gorgonzola e vinho, então, apresenta a particularidade dos tintos terem a propensão de acentuar os componentes ásperos do vinho, sobretudo os taninos.
Por isso, é preferível privilegiar os vinhos brancos, maduros e encorpados, macios e de doçura moderada, ou mesmo os espumantes de Método Clássico com envelhecimento mínimo de 36 meses.
Vamos a receita:
Ingredientes:
100 gramas de farinha de polenta
1/2 litro de água
sal a gosto
1 gema
1 colher (sopa) queijo grana padano ralado
Para o molho
200 ml de creme de leite fresco
120 gramas de gorgonzola doce
noz-moscada q.b
Pêras
1 pêra William
1 colher chá de mel
manteiga q.b
Preparo:
Ferva a água, acerte o sal, polvilhe a farinha de polenta, cozinhe por 40 minutos, mexendo sempre, acrescente a gema e o grana padano. Com duas colheres prepare as quenelles e disponha-as em um prato untado com manteiga, e mantenha aquecido.
Prepare o molho fervendo o creme de leite, reduzido a um terço, acrescente o gorgonzola fora do fogo e misture até derreter completamente, acerte o sal, adicione a noz-moscada, passe por uma peneira e mantenha aquecido.
Corte a pêra depois de descascada em cubos pequenos, refogue na manteiga, acrescente o mel e cozinhe deixando al dente.
Monte o prato colocando o molho de queijo no centro, depois 5 quenelles de polenta (formando o desenho de uma flor) e por fim um montinho de peras no centro, regue tudo com a manteiga do cozimento das pêras.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Salada Grega - a original

 


Um dos pratos gregos mais conhecidos dentro e fora da Grécia, onde a culinária é simples, fresca e despretensiosa.
Beber, Comer e Amar ...
Má na cozinha preparando Salada Grega.
Horiatiki significa aldeia em grego, nos meses de verão está presente na maioria dos lares gregos.
Existem versões "modernizadas" e não tradicionais (em restaurantes em Atenas) mas a receita que tentamos compartilhar aqui é a clássica.
Tomates, pepinos, cebola roxa, pimentão verde, alcaparras, azeitonas Kalamata (azeitona grega), azeite, orégano e queijo Feta.
"O queijo Feta possui rótulo DOP é produzido com leite de ovelha não pasteurizado, com no máximo 30% de leite de cabra. Infelizmente, devido à grande demanda  por queijo Feta na Grécia e restrições ao leite não pasteurizado, você provavelmente terá dificuldade em encontrar Feta fora da Grécia."
Usamos o queijo Tipo Feta - Fazenda Atalaia - elaborado com leite de cabra e maturado por 90 dias, com um delicioso sabor salgado e picante, que encontramos na Galeria do Queijo
Aliás, para quem não conhece a Galeria do Queijo aqui em Sao Paulo, vale a visita.
Quando o assunto é vinho, o salgado proeminente do Feta, das azeitonas e alcaparras pede vinhos brancos leves e  citricos,  que combinam bem com esses sabores picantes.
Escolhi o branco grego Assyrtiko By Gaía Wild  Ferment 2017
 

 
Nariz citrico, na boca confirma o nariz,  melão, pêssego, acidez limpa e crocante.
Que tal preparar essa iguaria?
Eu como sempre, contribuo com a receita:
Antes algumas dicas do Má:
A Salada grega é feita de vegetais frescos, azeitonas salgadas e queijo cremoso.
Compre um bom queijo Feta, deixe-o inteiro e coloque por cima para finalizar a salada.
Corte os tomates diretamente sobre a saladeira para que todos os sucos não sejam desperdiçados.
A receita original não usa nenhum tipo de ácido, por isso é importante usar tomates carnudos e maduros.
Ingredientes:
6 tomates maduros 
1 pepino grande
1 pimentão verde sem sementes
1 cebola roxa
azeitonas kalamata inteiras sem caroços
alcaparras
queijo Feta
azeite extra-virgem
orégano seco
sal q,b
Preparo:
1. Lave e corte os vegetais em pedaços médios (como na foto) na própria saladeira.
2. Adicione as azeitonas inteiras, a cebola em rodelas, o azeite e uma pitada de sal.
3. Disponha o queijo Feta por cima dos vegetais, as alcaparras, regue com mais azeite e polvilhe generosamente com orégano seco.
4. Deve ser misturada somente na mesa na hora de servir.
Para a experiência ficar ainda mais saborosa, mergulhe um pedaço de pão nos sucos da salada, para absorver todos os sabores, divino!

 

 
Você sabia...
Assyrtiko é uma dessas raras variedades de uvas brancas que podem crescer em condições climáticas quentes e secas, mantendo ao mesmo tempo o alto teor de álcool em perfeito equilíbrio por sua acidez nítida. É mais uma variedade textural, enfatizando extrato, corpo e textura, ao invés de uma aromática.
Assyrtiko é originária da Ilha vulcânica de Santorini (DOP Santorini), onde produz brancos magros e minerais. No entanto, foi plantada na maioria das regiões gregas, de outras ilhas do mar Egeu à Macedônia, na Grécia Central e até no Peloponeso. Nessas áreas a Assyrtiko mantém a nitidez e a mineralidade, mas também apresenta um maior nível de aroma de frutas primários e uma estrutura menos densa.
Todos os vinhos Assyrtikos envelhecidos em barril e aço inoxidável, podem envelhecer com confiança por cinco ou até dez anos, os vinhos doces de Assyrtiko são eternos.
Fonte: New Wines of  Grece


sexta-feira, 21 de abril de 2023

Vinho Laranja harmonização


Beber, Comer eAmar...
Má na cozinha preparando Cappelletti in Brodo.
Nascidos na Romagna, mas espalhados pelo centro-norte da Itállia, eles são uma das maiores expressões da massa caseira.
Obtidos cortando a massa em círculos, dentro dos quais é colocado o recheio. O fechamento é feito para cima e para um bom resultado habilidade é essencial.
Quanto ao recheio, há uma verdadeira disputa entre as várias cidades onde os cappellettis se espalham. Da carne ao frango, passando pelas combinações de queijo e noz-moscada. Para que todos concordem existe o caldo, há quem prefira usar capão e quem prefira o frango.
Existem várias lendas sobre a origem deste prato. Uma delas é inspirada na "La Secchia Rapita" de Tassoni. Uma noite após um dia de batalha entre bolonheses e Modena, Vênus, Baco e Marte encontraram refrigério na pousada Corona. Na manhã seguinte, Marte e Baco deixaram a pousada deixando Vênus dormindo; ao acordar, chamou alguém e o estalajadeiro que vinha correndo surpreendeu-a despida, e ficando tão impressionado com suas formas esplêndidas que, voltando para a cozinha com o que vira ainda na cabeça, arrancou um pedaço de massa, recheou e dobrou-a dando-lhe a forma do umbigo de Vênus.
O Cappelletti in Brodo é um prato delicado, recheado com carne, queijo e noz-moscada, servido num caldo rico e saboroso feito com frango e vegetais.
Quando o assunto é vinho, os brancos, neste caso, talvez sejam melhores para o emparelhamento.
Em geral, para não criar uma sensação de estranhesa, é melhor não servir o vinho a uma temperatura muito fria.
Aproveite a chance para brincar com a temperatura de serviço.
Uma excelente alternativa é apostar em vinhos laranjas resultantes de longas macerações.



Escolhemos para harmonizar Gradiva Chardonnay do Rubem Kunz - Vinhos da Rua do Urtigão
Aromas de nêspera em calda com caroço, mel, flores secas e amêndoas.
Em boca um ótima persistencia, guloso e adorável.
Vamos a receita:
Massa:
200 gramas farinha 00
200 gramas de sêmola
4 ovos iteiros
Recheio:
200 gramas de patinho moído
200 gramas de peito bovino moído
80 gramas de parmesão
1 ovo
1/2 talo de aipo
1/2 cenoura
1/2 cebola 
1/2 copo de vinho branco
noz-moscada a gosto
azeite a gosto
sal a gosto
Brodo (caldo)
1,5 kg de frango (usamos 1 frango inteiro pequeno)
3 litros de água
1 talo de aipo
1 cenoura
1 cebola
3 cravos da índia
5 bagas de zimbro
3 folhas de louro
sal a gosto
Preparo:
Comece preparando o caldo
Corte o frango em vários pedaços, coloque os legumes, as ervas e o frango cortado em uma panela grande.
Cubra com a água (3 litros), deixe ferver e cozinhe em fogo baixo por 1 hora, tirar a gordura  que se forma  por cima durante o cozimento. Tempere com sal no final da cozedura.
Massa:
Coloque a farinha e os ovos em uma tigela misture primeiramente com um garfo e depois numa bancada enfarinhada disponha a massa e trabalhe até obter uma massa lisa e homogênea.
Embrulhe a massa em filme plástico e deixe descansar em temperatura ambiente por meia hora.
Recheio
Refogue com um pouco de azeite o aipo, a cenoura, e a cebola picadinhos, acrescente as carnes e doure, acrescente o vinho e refogue até secar.
Em um processador bata a carne refogada com o queijo parmesão,o ovo, uma pitada de sal e um pouco de noz-moscada ralada. Deixe esfriar.
Montgem:
Abra a massa, corte em circulos.
Faça bolinhas com o recheio e coloque-os no centro dos círculos. Molhe um pouco as bordas com água e modele os cappellettis.
Quando tudo estiver pronto, coe o caldo, coloque de volta na panela e leve o fogo até ferver, assim que ferver cozinhe os cappellettis nesse caldo por 5 minutos ou até o ponto desejado.
Um ótimo final de semana.
Saúde sempre!
Acompanhe o BCA pelo instagram.





sexta-feira, 7 de abril de 2023

Chocolate e vinho



Aqui no BCA você encontra dicas de como degustar seu chocolate usando todos os sentidos e também de como harmoniza-lo com vinho.
Assim como o vinho, você pode e deve usar os seus sentidos para identificar um bom chocolate.
Comece pela visão: Um chocolate bem manipulado em todas as etapas, de boa qualidade, tem que ter brilho, coloração uniforme, sem manchas esbranquiçadas.
Audição: Ao quebrar o chocolate ele deve fazer barulho (estralar mesmo) fazendo um "tec" quanto maior for o teor de cacau maior o som.
Olfato: O primeiro indício de qualidade é o aroma de cacau. Depois inspire profundamente e descubra a particularidade de cada tipo (se é frutado ou floral, se tem aromas terrosos ou herbáceos e inclusive com o olfato você pode perceber características negativas (como ranço, fumaça ou aromas químicos).
Paladar: Assim que colocar o chocolate na boca ele deve começar a derreter imediatamente ( se esfarelar ou parecer cera de abelha, isso é um mal sinal)
Em seguida você sentirá características de sabor, note se lembra caramelo, banana etc.
Não estranhe a adstringência, ela deve estar presente, com equilíbrio.
Por fim, observe o retrogosto.
Quando o assunto é vinho, harmonizar chocolate e vinho não é tarefa fácil, pois a doçura acentuada dos chocolates, mesmo nos tipos amargos e a textura densa, composta em grande parte por manteiga de cacau, que na boca forma uma espécie de película espessa que adere ás papilas gustativas, costumam anular e mudar o sabor do vinho.
Porém, harmonizá-lo não é impossível, quando feito de maneira correta, é maravilhoso!
Comece abrindo o chocolate, pegue um pedaço pequeno e deixe que ele derreta levemente na boca, beba o vinho e veja como os sabores trabalham juntos.Um complementa o outro ou continuam distintos?
A partir dai vamos casar os sabores e pontos fortes similares.
Por exemplo: Vinho do Porto, uma harmonização clássica! Aqui as características de ambos, embora naturalmente diferentes, complementam-se pois, possuem pontos similares como complexidade, acidez, volume de boca etc.
Chocolate amargo com Banyuls
O Banyuls é produzido em terraços de solo formado por carvalho em torno da cidade de Collioure, ao longo da costa francesa no mediterrâneo, perto da fronteira com a Espanha.
O alto padrão de alguns produtores resultam em vinhos fortificados com alta complexidade e requinte baseados na Grenache. Um vinho com fruta mais suave, porém com sabores mais acentuados de chocolate e especiarias.
Chocolate ao leite com Tokay
O tesouro nacional húngaro. Sua fama se estende pelo mundo e pela história. A ameaça de um ataque dos turcos no século XVII adiou a colheita, e as uvas locais Harslevelu, Furmint e Muscat secaram nas vinhas. Quando essa fruta super madura foi finalmente amassada, produziu o vinho que conhecemos hoje.
O Tokay  é feito em três categorias, para o chocolate ao leite um Tokay Aszú casa melhor.
O Tokay Aszú é feito com as uvas ultra-amadurecidas, de colheita tardia, botritizadas.
Depois que o suco é espremido e fermentado, as próprias uvas são amassadas e transformadas em uma pasta, que é acrescentada ao vinho para criar o nível desejado de açúcar.
Chocolate meio amargo e Amarone
Uma criação italiana única. Os cachos de uvas são colhidos e depois secos em esteiras de palha durante pelo menos três meses antes da fermentação. isso concentra os açúcares e produz um sabor de "geléia" muito rico. É um tinto muito intenso e potente com até 17% de álcool."
Chocolate com laranja e Sauternes
Sauternes é um distrito localizado no canto mais meridional de Bordeaux, e produz o vinho de sobremesa mais famoso do mundo. Um corte de Semillon com um pouco de Sauvignon Blanc para equilibrar a acidez e talvez uma pequena quantidade de Muscadelle, para dar um sabor extra.
Em Sauternes as condições climáticas são perfeitas para o desenvolvimento da Botrytis Cinerea, um fungo benéfico fundamental para a produção das uvas murchas com alto teor de açúcar necessárias para este vinho opulento de sabor intenso de mel.
Bombom recheado e Jerez
Vinho fortificado produzido em torno da cidade de Jerez, na região de Andaluzia, no sul da Espanha.
O Jerez Amontillado casa melhor com o bombom recheado.
O Jerez Amontillado é um Jerez Fino com pelo menos oito anos de envelhecimento na solera.
A flor desaparece e por isso, o vinho com o contato com o ar, oxida dando-lhe uma cor ambar-dourada com aromas que inclui chocolate, passas, nozes e também uma textura em boca cremosa.
A equipe do BCA deseja a todos uma maravilhosa Páscoa!

terça-feira, 4 de abril de 2023

O Bacalhau perfeito


Beber, Comer e Amar...
Má na cozinha preparando Bacalhau al pil-pil, um dos pratos mais emblemáticos da gastronomia basca.
O País Basco é rico em cultura, história e principalmente em gastronomia que é reconhecida nacionalmente e internacionalmente. Essa gastronomia renomada, combina receitas tradicionais da terra com tendências mais vanguardistas, resultando num perfeito equilíbrio.
Uma cozinha de paladar fácil, rica e que todo mundo gosta.
O bacalhau ao pil-pil é um prato onde o principal e praticamente o único ingrediente é o bacalhau, a receita se faz, através de uma antiga técnica de cocção e conservação de alimentos que é o "Confit" que consiste em cozinhar lentamente o alimento em fogo baixo imerso em gordura, no nosso caso azeite.
Pil-Pil é o molho elaborado depois de confitar o bacalhau nesse azeite, que foi previamente aromatizado com alho e pimenta malagueta. É feito emulsionando o azeite onde confitamos o bacalhau que libera uma gelatina, que ajuda na emulsificação e cria esse molho de textura cremosa.
Dizem que a harmonização ideal do Bacalao al pil-pil é com um Txakoli branco de origem basca.
Na falta deste, optei por um outro branco, não muito convencional para combinar com pratos principais, mas que para mim é perfeito para tal.
Harmonizei com um Jerez Fino, que aguentou perfeitamente a untuosidade do molho de sabor marcado pelo alho e pela pimenta.
El Maestro Sierra Jerez Fino



De cor amarelo palha, limpo e brilhante, muito aromático com notas frutadas (maças), levedura e leve amêndoas. Em boca, é sequinho, fluido e fresco com aquela agradável salinidade.
Que tal preparar essa maravilha de prato para sua Semana Santa?
Eu como sempre, contribuo com a receita:
Ingredientes:
4 postas altas de bacalhau com pele
4 dentes de alho
1 pimenta malagueta ou dedo-de-moça
500 ml de azeite extra virgem de baixa acidez ou em quantidade suficiente para cobrir as postas dentro da panela onde serão confitadas.
Sal se necessário
Preparo:
Dessalgar o bacalhau pelo menos 24 horas antes da preparação, trocando a água a cada 8 horas.
Depois de dessalgado, tire o bacalhau da água e seque com papel absorvente.
Coloque todo azeite em uma panela em fogo baixo, adicione os dentes de alho cortados em lascas, e a pimenta inteira. Quando estiverem levemente dourados , remova-os e reserve.
Retire a panela do fogo e deixe amornar, coloque as postas de bacalhau, certificando-se que estejam totalmente imersas no azeite, as postas devem estar em temperatura ambiente e previamente secas, deixando assim até que o azeite amorne.
Retorne a panela ao fogo na temperatura baixa e deixe as postas imersas confitando 5 minutos de cada lado, tomando muito cuidado para o azeite não ferver.
Passado os 10 minutos, retire o bacalhau e reserve.
Reserve uma xícara de azeite do cozimento, com o auxilio de um fouet vá emulsionando  azeite da panela acrescentando aos poucos o azeite da xícara reservado, até obter um molho cremoso da consistência de uma maionese.
Sirva o bacalhau coberto com o molho e alguns alhos dourados.

Você sabia..
Txakoli é cultivado há séculos em várias partes do País Basco. As primeiras referências ao seu consumo e comercialização datam o século XVI, hoje em dia, o seu consumo tornou-se mais comum devido ao grande sucesso e expansão da gastronomia basca.
Obtido de certas linhagens autóctones a Hodarrabi Zuri e Beltza, uvas com uma certa acidez que produzem vinhos com teor alcoólico inferior aos vinhos tradicionais : entre 9,5 e 11,5 graus.
Existem 3 Denominações de Origem Txakoli que são:
Txakoli Getaria
Getariako txakolina, vem de uma pequena região em Gipuzkoa ao redor das cidades de Getaria, Zarautz e Aia. Está foi a primeira a receber a certificação DO em 1989. A área cultivada é de 177 hectares, a variedade branca usada é a Hondarribi Zuria e a tinta é a Hondarribi Beltza.
Txakoli de Bizkaia
Bizkaiko txakolina,, foi a segunda a receber a certificação DO em 1994. Tem cerca de 150 hectares divididos em 85 aldeias e vilas em Bizkaia, produzindo cerca de 700.000 litros de Txakoli por ano. A qualidade do Txakoli varia conforme as condições microclimáticas.
Txakoli de Araba
Arabako txakolina, esta DO vem da ponta noroeste de Álava, é a mais nova das três Denominações, obteve sua DO em 2001.
A produção das três DOs é de cerca de 4 milhões de litros por ano e, embora muito seja consumido no País Basco, hoje em dia é fácil encontrá-lo em toda a península e em alguns países estrangeiros como os Estados Unidos, o principal país importador.
Estilos de Txakolis:
Txakoli agulha (com o tradicional dióxido de carbono), teor alcoólico moderado, fresco em boca, sendo típico da área de Gipuzkoa.
O outro estilo é o tranquilo Txakoli, onde a uva é deixada amadurecer mais , é mais aromático e complexo na boca.
Além disso, tem o colheita tardia de Txakoli, um vinho aromático com um excelente equilíbrio entre o açúcar e a acidez.
Também existe uma pequena produção de txakoli tinto, elaborado com a uva Hondarrabi Beltza.
 O Txakoli Rosé feito em Gipuzkoa e por fim  txakoli espumante.
Estamos também no instagram, esperamos você lá.


quarta-feira, 22 de março de 2023

O melhor macarrão de sardinha do mundo!

Beber, Comer e Amar...
Sem ideia para o menu da Semana Santa?
Má na cozinha preparando Pasta con le Sarde (Macarrão com Sardinha).
Prato típico da cozinha siciliana, uma culinária rica, fusão de todas as suas diversas heranças culturais.
Diz a lenda que a Pasta con le Sarde surgiu em 1085 criada por um chefe árabe. Um prato único, feito com produtos simples, disponíveis na época na Sicília, como erva-doce selvagem e sardinha, abundante naqueles mares.
O açafrão é um indicador que o prato tem suas raízes na culinária siciliana e árabe.
Pasta con le Sarde portanto, é o primeiro Mare e Monti da história da culinária.
Você vai ficar encantado com o equilíbrio e o sabor de cada garfada.
Uma combinação perfeita do sabor encorpado da sardinha fresca e o aroma da erva-doce, ai vem o açafrão pra dar uma nota picante e envolvente, seguido de pinholes, passas e por fim farinha de pão torrado.
Tem que ser preparado com Bucattini, pois dá ao prato a espessura correta.
Agora vamos para o vinho, este prato tem uma complexidade indiscutível de sensações, é saboroso e perfumado, requer um vinho branco fresco com um rico buquê aromático, pois é a parte aromática do vinho que irá ajudar a sustentar o aroma do prato.
Então, escolhi para a harmonização um Grillo da Sicília.



Nicosia Grillo - Sicilia IGT
De cor amarelo palha, com aromas de ervas, cítricos e florais. Em boca é muito fresco, algo salino, limpou o paladar completamente entre uma garfada e outra.
Que tal preparar este delicioso prato para o fim de semana?
Eu com sempre, contribuo com a receita:

Ingredientes:
400 gramas de Bucattini (macarrão)
800 gramas de sardinhas frescas
500 gramas de erva-doce
1 envelope de açafrão em pistilo
1 cebola
2 colheres (sopa) de pinholes
3 colheres (sopa) de passas pretas
4 filés de anchovas salgadas
50 gramas de pão ralado e torrado (na frigideira com um pouco de azeite)
Azeite extra-virgem q.b
Vinho branco q.b
sal e pimenta a gosto.
Preparo:
Limpe as sardinhas, abra-as em um livreto e remova cabeça, rabo e osso central, lave-as cuidadosamente em água corrente e pique-as colocando-as de lado em um pano limpo.
Lave a erva-doce, retire os caules teimosos e ferva-a com muita água salgada (pois você vai precisar desta água para cozinhar a massa no final), retire a erva-doce da água e pique-a finamente, lembre-se de reservar a água do cozimento.
Em outra panela, frite a cebola, cortada em fatias finas com o azeite, junte as anchovas e deixe derreter formando um molho, junte os pinholes, as passas, a erva doce picada e a sardinha picada. Adicione um pouco de vinho branco e deixe evaporar, em seguida, duas conchas da água do cozimento da erva-doce, onde você já derreteu o açafrão previamente. Cozinhe por cerca de 40 minutos, adicionando mais água do cozimento, se necessário, em seguida acerte o sal e a pimenta.
No restante da água do cozimento da erva-doce, cozinhe a massa, escorra al dente e misture o molho.
Complete o prato polvilhando o pão ralado previamente torrado em uma frigideira com um pouco de azeite.

Você sabia...
Grillo - Vinho branco da Sicilia
Temperatura amena, terras montanhosas, brisa do mar leve e sol brilhante, fazem da Sicília a ilha do vinho.
São no total 150.000 hectares de vinhedos, dos quais 77% é plantado com castas brancas e 23% com castas tintas.
O cultivo de uvas brancas concentra-se principalmente nas províncias de Trapani, Agrigento e Palermo.
A Grillo, casta recomendada na harmonização de hoje, é uma uva autóctone que por décadas foi subestimada, era usada em cortes até o final dos anos 70.
Hoje, a Grillo está passando por uma momento de fermentação particular, mesmo fora de Trapani, que sempre foi sua área de produção.
Uma variedade finalmente recuperada pelos produtores sicilianos e um vinho cada vez mais solicitado pelos consumidores, não só na Sicília mas fora dela.
Segundo o texto da "Wine News", as notas organolépticas da Grillo vão depender da técnica de vinificação utilizada.
Os vinhos Grillo podem apresentar características muito diferentes.
Uma abordagem mais moderna seguida por grandes produtores, favorece a vinificação em redução: a ausência do oxigênio durante a fermentação e o uso de leveduras selecionadas acentuam as sensações cítricas e florais de vinhos fáceis de beber.
Uma abordagem mais tradicional que favorece maceração e a ingestão natural de oxigênio na produção do vinho, gera vinhos ricos e complexos, intensos, picantes e com frutas maduras.