quarta-feira, 14 de junho de 2023

Queijo vivo à mesa


Beber, Comer e Amar...
Vamos de queijo e vinho?
Se acreditarmos nos arqueólogos, a invenção do queijo remonta ao período Neolítico, uma história que remonta a mais de 10.000 anos. Os pastores nômades transportavam o leite em bolsas de peles feitas de estômagos de animais naturalmente contendo coalho, uma enzima que permite que o leite coagule rapidamente, assim nasceu a coalhada: Foi mais tarde, e sem dúvida por acaso, que o homem compreendeu que o leite coalhado e o soro, depois de escorridos e secos, transformavam-se em alimento (queijo), fácil de manusear e conservar.
Mas é sobretudo na Idade Média que se dá a "revolução do queijo" e que seu fabrico se desenvolve graças aos monges.
A história do queijo dá uma guinada com a descoberta da pasteurização, que obviamente devemos a Pasteur. Este descobre que os microrganismos têm propriedade de causar a fermentação de certos alimentos, como o leite.
Desde o Neolítico até aos nossos dias, a evolução do queijo é uma viagem fascinante onde se unem inovação e tradição, artesanato e progresso científico e técnico, gastronomia, cultura e prazer.
Partindo para a enogastronomia, o queijo e o vinho transmitem a imagem de convívio. Quem nunca participou de uma noite de queijos e vinhos?
Queijo e vinho, confortam, aquecem...
Quando pensamos em harmonização de queijos, o vinho é a primeira bebida que nos vem à mente, mas não se deixe levar! Juntar queijo e vinho não é tarefa fácil, o queijo contém características complexas como: sabor intenso, untuosidade, sal, aromas fortes, um verdadeiro desafio para qualquer vinho.
Em geral, aqui no Brasil o queijo toma o lugar de uma refeição seja em reuniões com amigos, um jantar romântico etc.
Aqui em casa,  preferimos comê-lo após a refeição antes da sobremesa, para realçar todos os aromas, servimos numa tábua à temperatura ambiente e acompanhado pelo seu fiel amigo, o vinho.
O escolhido da vez foi o Marmoratto da Queijaria Martina Artesanal  @qjomartina


   
Martina Sgarbi há alguns anos, aprendeu a produzir queijos para consumo próprio, se aperfeiçoou fazendo cursos dentro e fora do país (França e Itália) e nunca mais parou.
Em seu catálogo, há 9 variedades dentre eles o Marmoratto ( medalha de bronze no Mundial de Queijos no Brasil 2022).
O queijo é lavado delicadamente em cachaça artesanal com urucum natural.
Em sua casca existem mofos vivos e leveduras do bem.



Quando o assunto é vinho...
O queijo de casca lavada é untuoso, com aroma forte, salgado e com notas de nozes. Textura macia, lisa e que derrete na boca.
Escolhemos para harmonizar um vinho brasileiro da @vinicolafinoficial
Vinho Licoroso Rosado Doce Porto Das Missões.



O vinho traz doçura, um pouco de fruta, acidez e caráter amaciador. 
"Vinho semelhante a este foi elaborado em 1626 pelo Padre Jesuíta Roque Gonzales, para utilização em celebrações, na primeira redução dos 7 povos missioneiros. São Nicolau. Sendo o primeiro vinho elaborado no Rio Grande do Sul".
Vamos valorizar não somente o produto regional brasileiro como também os produtores e seus modos de vida, conhecimento e práticas associadas.
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Saúde sempre!
Beijos no coração.








terça-feira, 23 de maio de 2023

A melhor quiche do mundo


Está é uma receita que costumamos preparar em casa para aqueles dias corridos é uma refeição perfeita, basta uma salada verde para acompanhar.
Beber, Comer e Amar...
Má na cozinha preparando Quiche clássica. 
Já postamos anteriormente uma quiche de massa podre, a diferença entre essa é que a de hoje é com massa brisèe.
De acordo com a tradição francesa, a quiche é uma torta feita com massa brisèe coberta por um creme chamado migaine feito de ovos e creme fresco.
Tudo começou com a Quiche Lorraine em 1586, originária da região de Lorraine, nordeste da França, feita com massa brisèe, ovos, creme e bacon que, até hoje é a queridinha da França.
Com o tempo, surgiram as variantes e uma delas é a de alho-poró, para quem gosta do vegetal é um prato cheio.
Para harmonizar escolhi um vinho brasileiro, um corte de Chardonnay com Viognier da Quinta Don Bonifácio que fez um bom contraponto com a textura cremosa da quiche.



Vamos a receita.
Massa
180 gramas de farinha de trigo
90 gramas de manteiga
1 ovo inteiro
1/4 colher (chá)  de sal
Recheio
360 ml de creme de leite fresco
4 ovos
200 gramas de alho-poró
1 colher (sopa) de azeite
1/2 colher (chá) de sal 
Pimenta-do-reino a gosto
noz-moscada a gosto
Preparo da massa
Em uma tigela, coloque a farinha e a manteiga em cubos gelada.
Mexa com as pontas dos dedos até virar uma farofa.
Adicione o ovo ligeiramente batido e o sal, misture bem.
Em segida, trabalhe a massa com a palma das mãos até ficar homogênea.
Faça uma bola, envolva em papel filme e leve á geladeira por no mínimo 30 minutos.
Préaqueça o forno a 200 graus. 
Abra a massa sobre uma superfície enfarinhada em formato circular com o auxílio de um rolo.
Coloque a massa numa forma redonda de 24 diâmetros, ajustando com os dedos base e lateral.
Com uma faca corte as sobras de massa.
Fure a base com um garfo e despeje feijões crus por todo o fundo.
Asse por 25 minutos.
Preparo do recheio
Em uma frigideira coloque o azeite e refogue o alho-poró cortado em rodelas finas, até que fique macio.
Em uma tigela misture os ovos, creme de leite, sal, pimenta e noz-moscada.
Coloque o alho-poró refogado sobre a massa já fria, em seguida a mistura de ovos e creme de leite delicadamente até cobrir todo o alho-poró.
Asse em forno préaquecido 180 graus por 25 minutos ou até dourar.



Saúde sempre!
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quarta-feira, 10 de maio de 2023

Flor de polenta - O trivial pode ser sublime!

 

A linda cor amarela ensolarada da polenta, guarnecida de pêras e molho de gorgonzola prova que o trivial pode ser sublime! 
Beber, Comer e Amar...
Má na cozinha preparando flor de polenta.
A polenta é um alimento cuja a história se perde no tempo. E o gorgonzola, queijo azul italiano por excelência que leva o nome de uma pequena cidade nos arredores de Milão, não fica atrás.
Para essa versão moderna de polenta usamos o gorgonzola dolce, isso mesmo, o gorgonzola possui tipos diferentes segundo sua DOP. 
Gorgonzola Doce: maturação mínima de 50 dias, com massa espalhável, branco leitoso e marmoreio pouco evidente. O cheiro e o aroma são bem delicados com notas lácteas e vegetação rasteira. Mesmo o sabor não é muito agressivo, com um ligeiro picante, uma tendência doce evidente e, por vezes, nota amarga muito ligeira.
Gorgonzola Picante: na forma grande (cura mínima de 80 dias) na forma pequena (cura mínima de 60 dias), com massa cor de palha em que o marmoreio se destaca abundante, massa semidura, é compacta e plástica, mas muito solúvel no acabamento.
O perfil olfato-gustativo é intenso e agressivo.Olfato e aroma, muito evidentes e persistentes, apresentam notas de cogumelos, herbáceas e com maturação avançada também apresentam aromas de amoníaco, tudo sobre base láctea.
O sabor é dominado por uma sapidez pronunciada, especiaria intensa e, uma nota fial amrga aprecível e equilibrada.
Quem acompanha o BCA sabe que quando o assunto é harmonização quem dá o norte é o molho.
A combinação de gorgonzola e vinho, então, apresenta a particularidade dos tintos terem a propensão de acentuar os componentes ásperos do vinho, sobretudo os taninos.
Por isso, é preferível privilegiar os vinhos brancos, maduros e encorpados, macios e de doçura moderada, ou mesmo os espumantes de Método Clássico com envelhecimento mínimo de 36 meses.
Vamos a receita:
Ingredientes:
100 gramas de farinha de polenta
1/2 litro de água
sal a gosto
1 gema
1 colher (sopa) queijo grana padano ralado
Para o molho
200 ml de creme de leite fresco
120 gramas de gorgonzola doce
noz-moscada q.b
Pêras
1 pêra William
1 colher chá de mel
manteiga q.b
Preparo:
Ferva a água, acerte o sal, polvilhe a farinha de polenta, cozinhe por 40 minutos, mexendo sempre, acrescente a gema e o grana padano. Com duas colheres prepare as quenelles e disponha-as em um prato untado com manteiga, e mantenha aquecido.
Prepare o molho fervendo o creme de leite, reduzido a um terço, acrescente o gorgonzola fora do fogo e misture até derreter completamente, acerte o sal, adicione a noz-moscada, passe por uma peneira e mantenha aquecido.
Corte a pêra depois de descascada em cubos pequenos, refogue na manteiga, acrescente o mel e cozinhe deixando al dente.
Monte o prato colocando o molho de queijo no centro, depois 5 quenelles de polenta (formando o desenho de uma flor) e por fim um montinho de peras no centro, regue tudo com a manteiga do cozimento das pêras.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Salada Grega - a original

 


Um dos pratos gregos mais conhecidos dentro e fora da Grécia, onde a culinária é simples, fresca e despretensiosa.
Beber, Comer e Amar ...
Má na cozinha preparando Salada Grega.
Horiatiki significa aldeia em grego, nos meses de verão está presente na maioria dos lares gregos.
Existem versões "modernizadas" e não tradicionais (em restaurantes em Atenas) mas a receita que tentamos compartilhar aqui é a clássica.
Tomates, pepinos, cebola roxa, pimentão verde, alcaparras, azeitonas Kalamata (azeitona grega), azeite, orégano e queijo Feta.
"O queijo Feta possui rótulo DOP é produzido com leite de ovelha não pasteurizado, com no máximo 30% de leite de cabra. Infelizmente, devido à grande demanda  por queijo Feta na Grécia e restrições ao leite não pasteurizado, você provavelmente terá dificuldade em encontrar Feta fora da Grécia."
Usamos o queijo Tipo Feta - Fazenda Atalaia - elaborado com leite de cabra e maturado por 90 dias, com um delicioso sabor salgado e picante, que encontramos na Galeria do Queijo
Aliás, para quem não conhece a Galeria do Queijo aqui em Sao Paulo, vale a visita.
Quando o assunto é vinho, o salgado proeminente do Feta, das azeitonas e alcaparras pede vinhos brancos leves e  citricos,  que combinam bem com esses sabores picantes.
Escolhi o branco grego Assyrtiko By Gaía Wild  Ferment 2017
 

 
Nariz citrico, na boca confirma o nariz,  melão, pêssego, acidez limpa e crocante.
Que tal preparar essa iguaria?
Eu como sempre, contribuo com a receita:
Antes algumas dicas do Má:
A Salada grega é feita de vegetais frescos, azeitonas salgadas e queijo cremoso.
Compre um bom queijo Feta, deixe-o inteiro e coloque por cima para finalizar a salada.
Corte os tomates diretamente sobre a saladeira para que todos os sucos não sejam desperdiçados.
A receita original não usa nenhum tipo de ácido, por isso é importante usar tomates carnudos e maduros.
Ingredientes:
6 tomates maduros 
1 pepino grande
1 pimentão verde sem sementes
1 cebola roxa
azeitonas kalamata inteiras sem caroços
alcaparras
queijo Feta
azeite extra-virgem
orégano seco
sal q,b
Preparo:
1. Lave e corte os vegetais em pedaços médios (como na foto) na própria saladeira.
2. Adicione as azeitonas inteiras, a cebola em rodelas, o azeite e uma pitada de sal.
3. Disponha o queijo Feta por cima dos vegetais, as alcaparras, regue com mais azeite e polvilhe generosamente com orégano seco.
4. Deve ser misturada somente na mesa na hora de servir.
Para a experiência ficar ainda mais saborosa, mergulhe um pedaço de pão nos sucos da salada, para absorver todos os sabores, divino!

 

 
Você sabia...
Assyrtiko é uma dessas raras variedades de uvas brancas que podem crescer em condições climáticas quentes e secas, mantendo ao mesmo tempo o alto teor de álcool em perfeito equilíbrio por sua acidez nítida. É mais uma variedade textural, enfatizando extrato, corpo e textura, ao invés de uma aromática.
Assyrtiko é originária da Ilha vulcânica de Santorini (DOP Santorini), onde produz brancos magros e minerais. No entanto, foi plantada na maioria das regiões gregas, de outras ilhas do mar Egeu à Macedônia, na Grécia Central e até no Peloponeso. Nessas áreas a Assyrtiko mantém a nitidez e a mineralidade, mas também apresenta um maior nível de aroma de frutas primários e uma estrutura menos densa.
Todos os vinhos Assyrtikos envelhecidos em barril e aço inoxidável, podem envelhecer com confiança por cinco ou até dez anos, os vinhos doces de Assyrtiko são eternos.
Fonte: New Wines of  Grece


sexta-feira, 21 de abril de 2023

Vinho Laranja harmonização


Beber, Comer eAmar...
Má na cozinha preparando Cappelletti in Brodo.
Nascidos na Romagna, mas espalhados pelo centro-norte da Itállia, eles são uma das maiores expressões da massa caseira.
Obtidos cortando a massa em círculos, dentro dos quais é colocado o recheio. O fechamento é feito para cima e para um bom resultado habilidade é essencial.
Quanto ao recheio, há uma verdadeira disputa entre as várias cidades onde os cappellettis se espalham. Da carne ao frango, passando pelas combinações de queijo e noz-moscada. Para que todos concordem existe o caldo, há quem prefira usar capão e quem prefira o frango.
Existem várias lendas sobre a origem deste prato. Uma delas é inspirada na "La Secchia Rapita" de Tassoni. Uma noite após um dia de batalha entre bolonheses e Modena, Vênus, Baco e Marte encontraram refrigério na pousada Corona. Na manhã seguinte, Marte e Baco deixaram a pousada deixando Vênus dormindo; ao acordar, chamou alguém e o estalajadeiro que vinha correndo surpreendeu-a despida, e ficando tão impressionado com suas formas esplêndidas que, voltando para a cozinha com o que vira ainda na cabeça, arrancou um pedaço de massa, recheou e dobrou-a dando-lhe a forma do umbigo de Vênus.
O Cappelletti in Brodo é um prato delicado, recheado com carne, queijo e noz-moscada, servido num caldo rico e saboroso feito com frango e vegetais.
Quando o assunto é vinho, os brancos, neste caso, talvez sejam melhores para o emparelhamento.
Em geral, para não criar uma sensação de estranhesa, é melhor não servir o vinho a uma temperatura muito fria.
Aproveite a chance para brincar com a temperatura de serviço.
Uma excelente alternativa é apostar em vinhos laranjas resultantes de longas macerações.



Escolhemos para harmonizar Gradiva Chardonnay do Rubem Kunz - Vinhos da Rua do Urtigão
Aromas de nêspera em calda com caroço, mel, flores secas e amêndoas.
Em boca um ótima persistencia, guloso e adorável.
Vamos a receita:
Massa:
200 gramas farinha 00
200 gramas de sêmola
4 ovos iteiros
Recheio:
200 gramas de patinho moído
200 gramas de peito bovino moído
80 gramas de parmesão
1 ovo
1/2 talo de aipo
1/2 cenoura
1/2 cebola 
1/2 copo de vinho branco
noz-moscada a gosto
azeite a gosto
sal a gosto
Brodo (caldo)
1,5 kg de frango (usamos 1 frango inteiro pequeno)
3 litros de água
1 talo de aipo
1 cenoura
1 cebola
3 cravos da índia
5 bagas de zimbro
3 folhas de louro
sal a gosto
Preparo:
Comece preparando o caldo
Corte o frango em vários pedaços, coloque os legumes, as ervas e o frango cortado em uma panela grande.
Cubra com a água (3 litros), deixe ferver e cozinhe em fogo baixo por 1 hora, tirar a gordura  que se forma  por cima durante o cozimento. Tempere com sal no final da cozedura.
Massa:
Coloque a farinha e os ovos em uma tigela misture primeiramente com um garfo e depois numa bancada enfarinhada disponha a massa e trabalhe até obter uma massa lisa e homogênea.
Embrulhe a massa em filme plástico e deixe descansar em temperatura ambiente por meia hora.
Recheio
Refogue com um pouco de azeite o aipo, a cenoura, e a cebola picadinhos, acrescente as carnes e doure, acrescente o vinho e refogue até secar.
Em um processador bata a carne refogada com o queijo parmesão,o ovo, uma pitada de sal e um pouco de noz-moscada ralada. Deixe esfriar.
Montgem:
Abra a massa, corte em circulos.
Faça bolinhas com o recheio e coloque-os no centro dos círculos. Molhe um pouco as bordas com água e modele os cappellettis.
Quando tudo estiver pronto, coe o caldo, coloque de volta na panela e leve o fogo até ferver, assim que ferver cozinhe os cappellettis nesse caldo por 5 minutos ou até o ponto desejado.
Um ótimo final de semana.
Saúde sempre!
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sexta-feira, 7 de abril de 2023

Chocolate e vinho



Aqui no BCA você encontra dicas de como degustar seu chocolate usando todos os sentidos e também de como harmoniza-lo com vinho.
Assim como o vinho, você pode e deve usar os seus sentidos para identificar um bom chocolate.
Comece pela visão: Um chocolate bem manipulado em todas as etapas, de boa qualidade, tem que ter brilho, coloração uniforme, sem manchas esbranquiçadas.
Audição: Ao quebrar o chocolate ele deve fazer barulho (estralar mesmo) fazendo um "tec" quanto maior for o teor de cacau maior o som.
Olfato: O primeiro indício de qualidade é o aroma de cacau. Depois inspire profundamente e descubra a particularidade de cada tipo (se é frutado ou floral, se tem aromas terrosos ou herbáceos e inclusive com o olfato você pode perceber características negativas (como ranço, fumaça ou aromas químicos).
Paladar: Assim que colocar o chocolate na boca ele deve começar a derreter imediatamente ( se esfarelar ou parecer cera de abelha, isso é um mal sinal)
Em seguida você sentirá características de sabor, note se lembra caramelo, banana etc.
Não estranhe a adstringência, ela deve estar presente, com equilíbrio.
Por fim, observe o retrogosto.
Quando o assunto é vinho, harmonizar chocolate e vinho não é tarefa fácil, pois a doçura acentuada dos chocolates, mesmo nos tipos amargos e a textura densa, composta em grande parte por manteiga de cacau, que na boca forma uma espécie de película espessa que adere ás papilas gustativas, costumam anular e mudar o sabor do vinho.
Porém, harmonizá-lo não é impossível, quando feito de maneira correta, é maravilhoso!
Comece abrindo o chocolate, pegue um pedaço pequeno e deixe que ele derreta levemente na boca, beba o vinho e veja como os sabores trabalham juntos.Um complementa o outro ou continuam distintos?
A partir dai vamos casar os sabores e pontos fortes similares.
Por exemplo: Vinho do Porto, uma harmonização clássica! Aqui as características de ambos, embora naturalmente diferentes, complementam-se pois, possuem pontos similares como complexidade, acidez, volume de boca etc.
Chocolate amargo com Banyuls
O Banyuls é produzido em terraços de solo formado por carvalho em torno da cidade de Collioure, ao longo da costa francesa no mediterrâneo, perto da fronteira com a Espanha.
O alto padrão de alguns produtores resultam em vinhos fortificados com alta complexidade e requinte baseados na Grenache. Um vinho com fruta mais suave, porém com sabores mais acentuados de chocolate e especiarias.
Chocolate ao leite com Tokay
O tesouro nacional húngaro. Sua fama se estende pelo mundo e pela história. A ameaça de um ataque dos turcos no século XVII adiou a colheita, e as uvas locais Harslevelu, Furmint e Muscat secaram nas vinhas. Quando essa fruta super madura foi finalmente amassada, produziu o vinho que conhecemos hoje.
O Tokay  é feito em três categorias, para o chocolate ao leite um Tokay Aszú casa melhor.
O Tokay Aszú é feito com as uvas ultra-amadurecidas, de colheita tardia, botritizadas.
Depois que o suco é espremido e fermentado, as próprias uvas são amassadas e transformadas em uma pasta, que é acrescentada ao vinho para criar o nível desejado de açúcar.
Chocolate meio amargo e Amarone
Uma criação italiana única. Os cachos de uvas são colhidos e depois secos em esteiras de palha durante pelo menos três meses antes da fermentação. isso concentra os açúcares e produz um sabor de "geléia" muito rico. É um tinto muito intenso e potente com até 17% de álcool."
Chocolate com laranja e Sauternes
Sauternes é um distrito localizado no canto mais meridional de Bordeaux, e produz o vinho de sobremesa mais famoso do mundo. Um corte de Semillon com um pouco de Sauvignon Blanc para equilibrar a acidez e talvez uma pequena quantidade de Muscadelle, para dar um sabor extra.
Em Sauternes as condições climáticas são perfeitas para o desenvolvimento da Botrytis Cinerea, um fungo benéfico fundamental para a produção das uvas murchas com alto teor de açúcar necessárias para este vinho opulento de sabor intenso de mel.
Bombom recheado e Jerez
Vinho fortificado produzido em torno da cidade de Jerez, na região de Andaluzia, no sul da Espanha.
O Jerez Amontillado casa melhor com o bombom recheado.
O Jerez Amontillado é um Jerez Fino com pelo menos oito anos de envelhecimento na solera.
A flor desaparece e por isso, o vinho com o contato com o ar, oxida dando-lhe uma cor ambar-dourada com aromas que inclui chocolate, passas, nozes e também uma textura em boca cremosa.
A equipe do BCA deseja a todos uma maravilhosa Páscoa!

terça-feira, 4 de abril de 2023

O Bacalhau perfeito


Beber, Comer e Amar...
Má na cozinha preparando Bacalhau al pil-pil, um dos pratos mais emblemáticos da gastronomia basca.
O País Basco é rico em cultura, história e principalmente em gastronomia que é reconhecida nacionalmente e internacionalmente. Essa gastronomia renomada, combina receitas tradicionais da terra com tendências mais vanguardistas, resultando num perfeito equilíbrio.
Uma cozinha de paladar fácil, rica e que todo mundo gosta.
O bacalhau ao pil-pil é um prato onde o principal e praticamente o único ingrediente é o bacalhau, a receita se faz, através de uma antiga técnica de cocção e conservação de alimentos que é o "Confit" que consiste em cozinhar lentamente o alimento em fogo baixo imerso em gordura, no nosso caso azeite.
Pil-Pil é o molho elaborado depois de confitar o bacalhau nesse azeite, que foi previamente aromatizado com alho e pimenta malagueta. É feito emulsionando o azeite onde confitamos o bacalhau que libera uma gelatina, que ajuda na emulsificação e cria esse molho de textura cremosa.
Dizem que a harmonização ideal do Bacalao al pil-pil é com um Txakoli branco de origem basca.
Na falta deste, optei por um outro branco, não muito convencional para combinar com pratos principais, mas que para mim é perfeito para tal.
Harmonizei com um Jerez Fino, que aguentou perfeitamente a untuosidade do molho de sabor marcado pelo alho e pela pimenta.
El Maestro Sierra Jerez Fino



De cor amarelo palha, limpo e brilhante, muito aromático com notas frutadas (maças), levedura e leve amêndoas. Em boca, é sequinho, fluido e fresco com aquela agradável salinidade.
Que tal preparar essa maravilha de prato para sua Semana Santa?
Eu como sempre, contribuo com a receita:
Ingredientes:
4 postas altas de bacalhau com pele
4 dentes de alho
1 pimenta malagueta ou dedo-de-moça
500 ml de azeite extra virgem de baixa acidez ou em quantidade suficiente para cobrir as postas dentro da panela onde serão confitadas.
Sal se necessário
Preparo:
Dessalgar o bacalhau pelo menos 24 horas antes da preparação, trocando a água a cada 8 horas.
Depois de dessalgado, tire o bacalhau da água e seque com papel absorvente.
Coloque todo azeite em uma panela em fogo baixo, adicione os dentes de alho cortados em lascas, e a pimenta inteira. Quando estiverem levemente dourados , remova-os e reserve.
Retire a panela do fogo e deixe amornar, coloque as postas de bacalhau, certificando-se que estejam totalmente imersas no azeite, as postas devem estar em temperatura ambiente e previamente secas, deixando assim até que o azeite amorne.
Retorne a panela ao fogo na temperatura baixa e deixe as postas imersas confitando 5 minutos de cada lado, tomando muito cuidado para o azeite não ferver.
Passado os 10 minutos, retire o bacalhau e reserve.
Reserve uma xícara de azeite do cozimento, com o auxilio de um fouet vá emulsionando  azeite da panela acrescentando aos poucos o azeite da xícara reservado, até obter um molho cremoso da consistência de uma maionese.
Sirva o bacalhau coberto com o molho e alguns alhos dourados.

Você sabia..
Txakoli é cultivado há séculos em várias partes do País Basco. As primeiras referências ao seu consumo e comercialização datam o século XVI, hoje em dia, o seu consumo tornou-se mais comum devido ao grande sucesso e expansão da gastronomia basca.
Obtido de certas linhagens autóctones a Hodarrabi Zuri e Beltza, uvas com uma certa acidez que produzem vinhos com teor alcoólico inferior aos vinhos tradicionais : entre 9,5 e 11,5 graus.
Existem 3 Denominações de Origem Txakoli que são:
Txakoli Getaria
Getariako txakolina, vem de uma pequena região em Gipuzkoa ao redor das cidades de Getaria, Zarautz e Aia. Está foi a primeira a receber a certificação DO em 1989. A área cultivada é de 177 hectares, a variedade branca usada é a Hondarribi Zuria e a tinta é a Hondarribi Beltza.
Txakoli de Bizkaia
Bizkaiko txakolina,, foi a segunda a receber a certificação DO em 1994. Tem cerca de 150 hectares divididos em 85 aldeias e vilas em Bizkaia, produzindo cerca de 700.000 litros de Txakoli por ano. A qualidade do Txakoli varia conforme as condições microclimáticas.
Txakoli de Araba
Arabako txakolina, esta DO vem da ponta noroeste de Álava, é a mais nova das três Denominações, obteve sua DO em 2001.
A produção das três DOs é de cerca de 4 milhões de litros por ano e, embora muito seja consumido no País Basco, hoje em dia é fácil encontrá-lo em toda a península e em alguns países estrangeiros como os Estados Unidos, o principal país importador.
Estilos de Txakolis:
Txakoli agulha (com o tradicional dióxido de carbono), teor alcoólico moderado, fresco em boca, sendo típico da área de Gipuzkoa.
O outro estilo é o tranquilo Txakoli, onde a uva é deixada amadurecer mais , é mais aromático e complexo na boca.
Além disso, tem o colheita tardia de Txakoli, um vinho aromático com um excelente equilíbrio entre o açúcar e a acidez.
Também existe uma pequena produção de txakoli tinto, elaborado com a uva Hondarrabi Beltza.
 O Txakoli Rosé feito em Gipuzkoa e por fim  txakoli espumante.
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