quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Vinho Laranja



Já não é mais novidade, mas ainda desperta a curiosidade de muita gente no que diz respeito a sua elaboração.
Este estilo de vinificação é um dos mais antigos, produzido a milhares de anos, em lugares como Georgia e Armênia.
Saiu de um relativo esquecimento e retornou na década de 1990, na Itália, pelas mãos do enólogo Josko Gravner, que produz seus vinhos ambar (como gosta de chamá-los) exatamente como os romanos faziam, em ãnforas de barro.
O Vinho Laranja nada mais é do que vinhos de castas brancas vinificados como se fossem tintos, ou seja, as cascas das uvas brancas e suas sementes são mantidas durante o processo de maceração e fermentação.
O longo contato com as cascas confere ao vinho além da cor, corpo e complexidade.
O processo de vinificação é diverso, usa-se desde técnicas ancestrais georgianas (fermentação em ânforas de barro) como outros recipientes de fermentação como tanques de cimento ou barris grandes de carvalho.
Um ponto importante é que, como são brancos com técnicas de tintos,  amplia a possibilidade da harmonização com a comida. Uma área que o Beber, Comer e Amar gosta muito de explorar.
Hoje em dia a Itália lidera a produção mundial de Vinho Laranja.
Aqui no Brasil a produção ainda é pequena, abaixo alguns exemplares brasileiros que valem a pena degustar:

Peverella Era dos Ventos
Riesling Domínio Vicari
Âmbar Atelier Tormentas
Oro Vechio Leone di Venezia







terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Queijos - Queijo e vinhos pelo mundo - Queijo Gamonéu



Gamonéu é um queijo asturiano feito nos municípios de Onis e Cangas de Onís com uma mistura de leite cru de vacas, ovelhas e cabras, ligeiramente defumado com casca natural  e amadurecido em cavernas.
De forma cilíndrica, casca mofada, fina adquirida durante a fase de defumação, cor acinzentada, com tons avermelhados.
Massa dura ou semi-dura, firme e friável de cor branca com ligeiros contornos verde-azulados nas bordas de modo que alguns o classifica entre os queijos azuis.
Sabor suave de fumaça e ligeiramente picante, amanteigado.
Existe duas variedades de queijo Gamonéu. O Porto e o Valle.
O Gamonéu del Puerto é feito nas montanhas nas cabanas ou galpões onde os pastores vivem durante os meses de verão e amadurecem em cavernas naturais.
O Gamonéu del Valle é feito em pequenos laticínios localizados nas áreas baixas de Onis e Cangas de Onis, durante todo o ano e geralmente não amadurecem em cavernas.
Os pastos em que o animal  se alimenta também influenciam os diferentes queijos. As pastagens do Porto têm uma produção mais escassa e sazonal, de maior qualidade de forragem do que as pastagens do Valle.
Quando o assunto é vinho...
Na Astúrias se produz muita Sidra, a harmonização recomendada para o Gamonéu.
Apenas nos municípios de Cangas del Nacea, Ibias, Allande, Grandas, Illano, Pesoz, Deganã e Tineo se produz vinho, pois são os únicos municípios que satisfazem as condições climáticas adequadas para o crescimento da vinha, tendo o seu próprio microclima.
Neste caso, um tinto DO Cangas seria o mais indicado para harmonização.
DOP Cangas possui uma área de produção acidentada, montanhosa e as vinhas se localizam em encostas íngremes de difícil cultivo (cultivo heroico)
A vinha de alta montanha é caracterizada por:
Altitude acima de 500 metros acima do mar.
Cultivo em encostas íngremes, terras com mais de 30% de declínio, o que dificulta a mecanização dos processos de cultivo e colheita).
Vinhas em pequenas ilhas.
Vinhedos em terraços de cultivo.
Os tintos DO Cangas são elaborados com as variedades :
Carrasquín, Negrojo Verde, Albarín Preto e Mencia.
Mas você pode optar também por vinhos como Porto Tawny com idade que vai casar muito bem com as nuances defumadas do queijo.

Leia também: Queijos - Queijos e vinhos pelo mundo - Queijo Garrotxa











Você sabe o que é Vin Santo e como é produzido?



Em dezembro de 2014, o Papa Francisco recebeu o diploma honorário de sommelier da Associação Italiana de Sommeliers e foi presenteado com três garrafas do vinho de sobremesa Vin Santo. Você sabe o que é Vin Santo e como ele é produzido?
O Vin Santo é um tipo de vinho doce tradicional da Toscana e da Úmbria, é elaborado com uvas parcialmente passificadas, normalmente Trebbiano Toscano e Malvásia Branca, mas também pode ser produzido com Sangiovese, neste caso, é chamado de Vin Santo Occhio di Pernice (olho de perdiz).
Na elaboração do Vin Santo as uvas bem maduras porém firmes no cacho, são penduradas em caibros, dentro de salas de secagem; alguns produtores penduram cada cacho separadamente outros, preferem colocá-los deitados sobre esteiras.
Quanto mais longo for o processo de transformação da uva em passa, maior será a concentração de açúcar.
Após a prensagem o mosto resultante é levado para a Vinsantaia, uma espécie de sótão, onde ficam os caratelli (pequenas barricas) que são cheias até 3/4 de sua capacidade, o restante da barrica é completado pela madre (uma massa residual cheia de leveduras do barril onde foi feito o vinho do ano anterior). Assim, eles facilitam o início da fermentação e mantém o mesmo padrão em todas a safras.



O caratelli então é lacrado e a bebida amadurece sem ser tocada por três a oito anos. Esse longo período de envelhecimento confere ao vinho um sabor delicado, aromas que lembram geleia de damasco, nozes  amêndoas, toques de mel e caramelo, teor alcoólico de 16º, uma cor que vai do dourado ao âmbar escuro.
Pode apresentar-se nas versões seco, abboccato, amabile e dolce, com níveis crescentes de açúcar residual, respectivamente.

Você sabia...
Esse vinho sempre foi um símbolo de amizade pra os italianos, os vinhateiros toscanos garantem que, ao compartilhar um copo de Vin Santo, descobre-se mais que um maravilhoso vinho, ele abre as portas da amizade.
Existem várias teorias a respeito da origem do nome, a versão mais provável, é a associação deste vinho com o seu uso comum durante a missa.
Quanto a harmonização, nada como um Cantucci biscoito de amêndoas, muito consumido na Toscana, seco e duro.
A brincadeira é molhar o biscoito no vinho, uma delícia! Mas também pode-se degustar o Vin Santo acompanhado de um bom gorgonzola, ou até mesmo sozinho, é magnífico.
Deve ser servido gelado 12º.
Quer a receita do Cantucci Toscano para impressionar seus convidados?
Digite Sim nos comentários que postarei.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Use mais o seu Decanter


Ao invés de abrir uma garrafa de vinho um pouco antes de servi-lo com o intuito de deixa-lo respirar, verta-o num decanter, pois se você só desarrolhar o vinho, só estará expondo a superfície do liquido do gargalo, e por isso, a aeração será minima e não terá efeito.
Vertendo-o para um decanter a aeração será total.
Experimente decantar um vinho branco como o Sauternes (sobremesa) você vai sentir como a aeração vai ajudar a liberar seus aromas e sabores.
A rolha quebrou? Se você tentou retirar o pedaço restante com saca-rolhas e não obteve resuntado, empurre a parte restante para dentro da garrafa e "coe" o vinho para um decanter.
Para quem sofre com dores de cabeça, no dia seguinte de uma noite regada a vinhos brancos (carregados de sulfitos) uma dica é abrir o vinho branco em questão, verte-lo para um decanter e colocá-lo na geladeira por 20 minutos.
Mas se mesmo assim aquele seu amigo desavisado elogiar o seu decanter vazio, dizendo que ele é um lindo vaso, você pode colocar uma flor! (brincadeira)


sábado, 23 de fevereiro de 2019

Aussières Rosé harmonizado com galeto com manteiga de ervas



Beber, Comer e Amar...
Má na cozinha preparando Galeto com manteiga de ervas acompanhado de farofa Biju.
O galeto também conhecido como frango de leite, é a ave com 2 a 3 meses de idade e aproximadamente 400 a 800 gramas.
O prato de hoje é leve, saboroso e muito fácil de preparar.
A complexidade de sabores ricos em ervas mais a untuosidade da manteiga me fizeram optar por um Rosé para harmonizar, pois o Rosé tem as características frutadas de um vinho tinto associadas a acidez de um vinho branco.


Aussières Rosé  - Languedoc Roussillon - França, exemplar produzido pela vinícola Domaine d'Aussières , o Chateau d'Aussières foi adquirido pela Domaines Barons de Rothschild em 1999 e, desde então, esta propriedade de 550 hectares passou por um vasto programa de reabilitação, revigorando as vinhas e renovando as adegas.
Esse Rosé é um blend de Cinsault, Grenache Noir, Syrah e Cabernet Franc com uma linda cor salmão, tem aromas frutados delicados, é fresco com um toque de ervas secas, acho que devido a Cabernet Franc, e um leve mentol que casou perfeitamente com o prato, um vinho muito bem feito e elegante.
Que tal preparar o prato? Eu como sempre, contribuo com a receita:
Ingredientes para o galeto:
1 galeto
Ervas frescas ( alecrim, hortelã, manjericão, orégano e salsinha)
100 gramas de manteiga
1 fio de azeite
Sal e pimenta a gosto
3 rodelas de limão
1 cebola cortada em quatro
1 ramo de alecrim
Preparo:
Lavar e limpar bem o galeto. Feito isso, levantar com jeitinho sem rasgar toda a pele do galeto.
Em uma tigela misture a manteiga e as ervas picadas até formar uma pasta, tempere com um fio de azeite, sal e pimenta a gosto.
Use essa pasta para cobrir o galeto por debaixo da pele que você levantou, cuidando de deixar todas as partes do galeto bem cobertas com essa mistura, dando umas pinceladas da pasta por cima da pele também.
Coloque dentro do galeto 3 fatias de limão, 1 cebola inteira cortada em 4 e um ramo de alecrim.
Prenda a pele com palitos e as coxas e asas com um barbante.
Leve ao forno médio, aumentando só no final para dourar. Para garantir que o galeto fique suculento é importante que durante o cozimento você vá regado a ave com o caldo que se forma na assadeira.

Ingredientes para a farofa:
1 xícara de farinha de mandioca flocada Biju
1/2 cebola picada
2 colheres (sopa) manteiga
1 colher (café) de raspas de limão
Sal e pimenta a gosto.
Preparo:
Derreta a manteiga, junte a cebola e frite até ficar transparente, adicione a farinha lentamente e mexa até dourar, desligue o fogo adicione as raspas de limão e tempere com sal e pimenta a gosto.















sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Espumante e batatas fritas


Segundo Marcelo Duarte do Guia dos Curiosos, as batatas fritas foram feitas pela primeira vez na Bélgica, em 1876.
Os camponeses costumavam tostar peixes em banha animal mas, com a falta do produto por causa de um inverno rigoroso, resolvem apelar para a batata. O prato se popularizou graças ao agrônomo, nutricionista e higienista francês Antoine Augustin Parmentier que serviu uma porção em um jantar em homenagem ao presidente norte americano Benjamin Franklin. O político não gostou da novidade.
E você, será que vai gostar da harmonização que vou sugerir hoje?
Espumante e fritas, uma combinação que pode surpreender.
Vinho com muita acidez e bolhas, combinam perfeitamente com fritas, cortando a oleosidade enquanto simultaneamente  limpa seu paladar e o refresca.
Optei por um Espumante brasileiro Aurora Pinot Noir Procedencias.
Elaborado pelo Método Charmat,  o frescor e a leveza absorveram a untuosidade e o sabor salgado das batatas fritas, deixando um sabor forte e doce na boca.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Queijos - Queijos e Vinhos pelo mundo - Queijo Garrotxa



Seu nome vem da região de La Garrotxa, Catalunha.
Também é conhecido pelo nome catalão de "fromatge pell florida" (queijo de casca mofado). É elaborado em toda a Catalunha, em fazendas de cabras leiteiras, onde geralmente é trabalhado de forma artesanal.
Amadurece em ambientes muito úmidos e frescos, o que acaba causando o aparecimento de mofo cinza-azulado que cobrem sua casca áspera e lhe confere um sabor final específico.
Seu interior é compacto, textura é suave e cor branca intensa.
Seu sabor é amanteigado, ligeiramente ácido, derretendo no palato com leve sabor de avelãs.
Quando o assunto é harmonização opte por vinhos brancos jovens e frescos, uma boa opção são os vinhos da região (Catalunha), ou mesmo um Jerez Fino ou Manzanila (Andaluzia)

Você sabia...
Na Catalunha, onze denominações de origem distinguem-se em relação ao vinho.
Alella
Catalunha
Conca de Barberá
Costers del Segre
Empordá
Montsant
Penedés
Pla de Bages
Priorat
Terragona
Terra Ale
A D.O  foi aprovada pelo governo espanhol em 2011, e inclui todos os vinhos e vinícolas de mais de 300 municípios catalães.
No total são 35 variedades autorizadas para a produção de vinho.
As brancas são: Alvarinho, Chardonnay, Chenin, Grenache, Gewürztraminer, Macabeo, Malvásia, Malvásia de Sitges, Muscat de Alexandria e Frontignan, Parellada, pedro Ximenez, Picapoll branco, Riesling, Sauvignon Blanc, Xarel-lo, Viognier e Vinyater.

Leia também: Queijos - Queijos e vinhos pelo mundo Fumaison